Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Crónicas do Professor Nuno Sotto Mayor Ferrão

Crónicas que tratam temas da cultura, da literatura, da política, da sociedade portuguesa e das realidades actuais do mundo em que vivemos. Em outros textos mais curtos farei considerações sobre temas de grande actualidade.

Crónicas que tratam temas da cultura, da literatura, da política, da sociedade portuguesa e das realidades actuais do mundo em que vivemos. Em outros textos mais curtos farei considerações sobre temas de grande actualidade.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

www.mil-hafre.blogspot.com

www.cortex-frontal.blogspot.com

www.duas-ou-tres.blogspot.com

www.novaaguia.blogspot.com

www.bichos-carpinteiros.blogspot.com

www.fjv-cronicas.blogspot.com

www.sorumbatico.blogspot.com

www.almocrevedaspetas.blogspot.com

www.ladroesdebicicletas.blogspot.com

Perfil Blogger Nuno Sotto Mayor Ferrão

www.centenario-republica.blogspot.com

Centenário da República

Ericeira

Origem das espécies de Francisco José Viegas

Almanaque Republicano

Fundação Calouste Gulbenkian

Centro Cultural de Belém

Blogue Biblioteca Escolar - Agrupamento Damiao de Góis

Biblioteca Nacional

Fundação Mário Soares

Arrastão

Centro Nacional de Cultura

Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Academia das Ciências de Lisboa

Cinemateca de Lisboa

Ministério da Cultura

Restaurante - Lisboa

Turismo Rural

Museu da Presidência da República

Site Divulgar blog

Memória Histórica do Holocausto

Dados estatísticos nacionais

Blogue Helena Sacadura Cabral

Comunicação Social da Igreja Católica

Economia e História Económica

Blogue - Ana Paula Fitas

Sociedade Histórica da Independência de Portugal

Literatura - infantil e/ou poética

Biblioteca e Arquivo José Pacheco Pereira

José Saramago - Fundação

Escritora Teolinda Gersão

Escritor António Lobo Antunes

Comemoração do Centenário da República

Museu Nacional de Arte Antiga

Museu do Louvre - Paris

www.industrias-culturais.blogspot.com

Artes Plásticas e Poesia - blogue

Albergue Espanhol - blogue

Actualidades de História

Arte Contemporânea - Fundação Arpad Szenes Vieira da Silva

Literatura - edições antigas

Carta a Garcia - blogue

Blogue da Biblioteca do ISCTE

Crónicas do Rochedo

Lusitaine - blogue

Leituras - livros e pinturas

História do século XX - site espanhol

Associação Cultural Coração em Malaca

Objectiva Editora

Lista de Prémios Nobéis

Perspectivas luso-brasileiras

Análise política - blogue

Arte e Cultura no Brasil

Exposição Viva a República

Revisitar Guerra Junqueiro

História da Guerra Colonial

Prémio Nobel da Literatura 2010

Sociedade de Geografia de Lisboa

Academia Portuguesa da História

Associação 25 de Abril - Centro de Documentação

Casa Fernando Pessoa - Lisboa

Associação Agostinho da Silva

Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Aministia Internacional

UNESCO

Blogue de Estudos Lusófonos da U. Sorbonne

Entre as brumas da memória - blogue

Comunicação Social - Nacional e Estrangeira

Acordo Ortográfico - Portal da Língua Portuguesa

Países Lusófonos

Margens de erro - blogue

Museu do Oriente

Fotografias Estéticas de Monumentos do Mundo

Monumentos Classificados de Portugal

Mapas da História do Mundo

Informações sobre a União Europeia

Biblioteca Digital do Alentejo

Instituto Nacional de Estatística

Vidas Lusófonas da autoria de Fernando da Silva

Programa televisivo de Cultura

Quintus - Blogue

Fundo bibliográfico dos Palop

Instituto Camões

Museu do Fado

Livraria Histórica e Ultramarina - Lisboa

Reportório Português de Ciência Política - Adelino Maltez

Acordo português com a troika - Memorando de entendimento

Programa do XIX Governo Constitucional da República Portuguesa

Real Gabinete Português de Leitura (Rio de Janeiro)

Bibliografia sobre a Filosofia Portuguesa

Fundação Serralves - Arte Contemporânea

Casa da Música

Portal da Língua Portuguesa

Canal do Movimento Internacional Lusófono

Escritas criativas

Círculo Cultural António Telmo

Revista BROTÉRIA

Desporto e qualidade de vida

Turismo Rural

Município de Ponte de Lima

+ Democracia

I Congresso da Cidadania Lusófona

Organização - I Congresso da Cidadania Lusófona 2,3 abril 2013

Grémio Literário - Lisboa

SP20 Advogados

Zéfiro

Divina Comédia Editores

Hemeroteca Digital de Lisboa

National Geographic

Sintra - Património Mundial da Humanidade

Sinais da Escrita

Classical Music Blog

Open Culture

António Telmo – Vida e Obra

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

British Museum

Université Sorbonne

Museu Guggenheim - Veneza

Universidade de Évora

Biblioteca Digital

Universidade Católica Portuguesa

Biblioteca do Congresso dos EUA

Biblioteca de Alexandria – Egito

Oração e Cristianismo

Notícias e opiniões

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES DE FÁTIMA (1917-2017) E A VISITA DO PAPA FRANCISCO A PORTUGAL

     Resultado de imagem para centenário de fátimaResultado de imagem para nossa senhora de fátima papa franciscoImagem relacionada

De 13 maio a 13 outubro de 1917, as crianças pastoras Lúcia de Jesus dos Santos, Francisco Marto e Jacinta Marto contemplaram seis Aparições de Nossa Senhora, na Cova da Iria, perto de Fátima. As crianças videntes receberam os anúncios de irem para o céu, de deverem rezar a Nossa Senhora do Rosário para abrandar a ferocidade da 1ª guerra mundial (1914-1918), de ser importante angariar esmolas para a construção de uma capelinha a Nossa Senhora do Rosário e da guerra estar prestes a terminar.

 

A 13 de maio, na Aparição inicial, estavam presentes apenas os três pastorinhos, mas nos dias 13 dos meses seguintes reuniram-se de forma crescente mais pessoas, de modo que, a 13 de outubro, as fontes da imprensa noticiam que se reuniram para assistir ao fenómeno cerca de 30 a 50 mil pessoas. Nas décadas de 1920 e de 1930, Fátima transformou-se num importante santuário católico nacional.

 

Francisco e Jacinta foram beatificados pelo papa João Paulo II, no ano 2000, e serão canonizados, isto é tornados santos, a 13 de maio de 2017, pelo papa Francisco no Santuário de Nossa Senhora de Fátima.

 

No dia 13 de outubro de 1917, muitas testemunhas oculares observaram - segundo expressão jornalística da época - o “Sol a bailar”. O processo de reconhecimento dos acontecimentos de Fátima decorreu a nível diocesano, entre 1922 e 1930, quando o país demonstrava necessitar de amarras emocionais para uma espiritualidade coletiva no contexto conturbado do fim da 1ª República e início da Ditadura Militar.

 

Um dos segredos de Fátima foi revelado, na segunda metade dos anos 30, quando o regime sovético estalinista se tornou mais repressivo, tendo sido anunciado que a URSS se iria consagrar ao Sagrado Coração de Maria, de modo que, aquando do desabamento da União Soviética no início dos anos 90, a Igreja Católica reconhece a correspondência deste segredo com este acontecimento histórico genésico da História da Humanidade, nas palavras de Edgar Morin.

 

Se o fenómeno sócio-religioso de Fátima se expandiu durante o Estado Novo, verificou-se, também, uma feroz crítica deste processo religioso por parte de setores anticlericais, de um ateísmo fervoroso e mesmo de alguns elementos da Igreja Católica, tendo aparecido muitos livros de timbres excessivamente racionalistas, que colocavam dúvidas aos acontecimentos da Cova da Iria. Apareceram, assim, duas visões antagónicas de Fátima, em que se confrontaram a ótica da fé católica com a perceção racionalista laica.

 

As Aparições de Fátima constituem um acontecimento incontornável da Igreja Católica, a nível nacional e internacional, pela amplitude que alcançou. O fascínio espiritual de Fátima é uma clara manifestação de fé dos crentes, marcada pelas peregrinações populares, pelos dias 13 de concentração social e pela vinda de diversos papas ao Santuário.

 

Este ano de 2017 celebra-se o Centenário das Aparições, evocando-se esta efeméride histórica e a manifestação pública da fé com a canonização dos pastorinhos Jacinta e Francisco na presença do papa Francisco, reforçando assim a fé e a espiritualidade do povo português, ao ponto do atual governo de esquerda ter decretado, com evidente sensatez, tolerância de ponto para os funcionários públicos no dia 12 de maio de 2017.

 

A celebração deste Centenário (1917-2017) é uma ocasião pastoral muito especial para o aprofundamento espiritual da fé católica da população portuguesa, lusófona e mundial ( Cf. O post anterior deste blogue intitulado 13 DE MAIO DE 1917 - 13 DE MAIO DE 2011 - NOSSA SENHORA DE FÁTIMA, HISTÓRIA E RELIGIÃO). Pretende-se, com esta comemoração histórico-religiosa, evidenciar a importância das Aparições para a Igreja Católica e para o mundo, difundindo a sua mensagem a nível nacional e internacional.

 

Ao mesmo tempo, com a canonização dos pastorinhos Jacinta e Francisco a 13 de maio de 2017, intentam-se formas específicas de vivenciar a espiritualidade de Fátima, dando a conhecer a fé dos seus videntes. Os Pastorinhos de Fátima convertem-se, assim, em modelos de vida cristã, pela religiosidade que irradiaram, irradiam e irradiarão em seu redor no passado, no presente e no futuro.

 

Um momento alto desta celebração festiva é a Missa presidida pelo papa Francisco, a 13 de maio de 2017, às 10 horas, que inclui, no seu início, a canonização dos dois pastorinhos. Convém reter que o conceito de Aparições utilizado é o conceito teológico (P. Gonçalo Portocarrero de Almada, “Fátima(1): Aparições ou visões”, in Observador, 29/04/2017).

 

Este conceito ultrapassa a mera experiência física, tão do agrado da perceção ateia, que pretende a desmistificação de um fenómeno espiritual com os instrumentos de uma análise meramente positivista, visto que essas visões por intermédio das suas almas tocadas por um objeto sobrenatural não resultaram de qualquer processo fantasista.

 

É expectável que esteja presente um 1 milhão de crentes no Santuário de Fátima, nos dias 12 e 13 de maio, a assistir às diferentes cerimónias litúrgicas e celebrações evocaticas deste Centenário, o que conduzirá a uma elevada taxa de ocupação hoteleira nesta região durante este período.

 

Nuno Sotto Mayor Ferrão

MÁRIO SOARES, UM PROTAGONISTA DA HISTÓRIA PORTUGUESA E EUROPEIA DOS SÉCULOS XX E XXI

Mário Soares 1.jpgmário soares 2.gifMario Soares III.jpg 

 

Mário Alberto Nobre Lopes Soares (1924-2017) foi um distinto político humanista do Estado Português. Nasceu de uma família republicana-liberal, e seu pai João Lopes Soares, que foi um antigo ministro das Colónias da 1ª República, manifestou vontade que seu filho fosse escritor. Licenciou-se, primeiro, em Ciências Histórico-Filosóficas e, depois, em Direito, tendo-se distinguido na resistência ao regime do Estado Novo, pelo que foi remetido para a prisão doze vezes pela polícia política, num período que demorou na totalidade mais de 3 anos de encarceramento. Foi também deportado em 1968 para São Tomé e esteve exilado em Paris de 1970 a 1974, durante o consulado Marcelista.

 

Assumiu a defesa judicial do general Humberto Delgado, aquando do seu assassinato pela PIDE, e também de Álvaro Cunhal, seu antigo professor, acusado de crimes políticos como líder clandestino do Partido Comunista Português. Chegou a ser professor de História no Colégio Moderno, por influência de Álvaro Cunhal. Foi, também, aluno de Agostinho da Silva, de quem recebeu explicações particulares.

 

Foi membro do Movimento de Unidade Nacional Antifascista, em 1943, membro do Movimento de Unidade Democrática, em 1946, que defendeu no pós-guerra a mudança do regime político no país, tendo fundado o Movimento de Unidade Democrática Juvenil com Manuel Mendes. Foi secretário da Comissão Central da candidatura do general José Norton de Matos à Presidência da República, em 1949, e membro da comissão da candidatura do general Humberto Delgado, em 1958. Foi na prisão que, a 22 de fevereiro de 1949, casou por procuração com Maria Barroso.

 

Ingressou na Maçonaria em Paris, em 1972, esperando auxílio para a sua luta política com o Estado Novo. Após ter fundado, com Tito de Morais e Ramos Costa, a Ação Socialista no exterior, que deu origem ao Partido Socialista, em 1973, regressou a Portugal com a revolução de 25 de abril de 1974, de que foi um dos principais protagonistas como ministro dos Negócios Estrangeiros de 1974 a março de 1975 no processo de descolonização e como primeiro-ministro dos I, II e IX Governos Constitucionais. Foi duas vezes Presidente da República de 1986 a 1991, numa inesperada vitória sobre Diogo Freitas do Amaral, e de 1991 a 1996, tendo assumido uma reforçada imagem carismática com as suas presidências abertas.

 

Ganhou um largo prestígio internacional como dirigente da Internacional Socialista, e como signatário do documento de integração de Portugal na CEE, no ano de 1985, no Mosteiro dos Jerónimos, desenvolvida sob os auspícios do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, José Medeiros Ferreira. Foi autor de várias obras de intervenção política e de uma tese de licenciatura sobre Teófilo Braga, saindo, talvez, daqui a famosa trilogia ideológica que o marcou, indelevelmente, ao longo do seu percurso político “laico, republicano e socialista”. Teve sempre um instinto de um verdadeiro “animal político”.

 

Foi, também, o criador da benemérita Fundação Mário Soares, instituição cultural de grande relevo para a História Contemporânea de Portugal, ao guardar o espólio de muitos importantes protagonistas da História Portuguesa do século XX e ao atribuir prémios de investigação histórica por estudos inéditos, em parceria com o Instituto de História Contemporânea da Faculdade Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

 

Venceu, durante o processo revolucinário em curso (PREC), a tendência totalitária dos setores de extrema-esquerda no Verão Quente de 1975, tendo feito soçobrar a vontade hegemónica de Álvaro Cunhal, secundado pelo apoio internacional da URSS ao tempo da guerra fria, de implantar no país um regime comunista. Ficou muito famoso o seu debate televisivo com Álvaro Cunhal, que patenteou esta visível divergência ideológica com o modelo de democracia popular, que tanto contestou como legítimo para as necessidades e anseios da pátria lusa.

 

Afirmou-se como um dos grandes vultos europeus do Socialismo Democrático, a par de Olof Palme e de Willy Brandt, afastando-se do Socialismo de Terceira Via, de Anthony Giddens, que ganhou expressão no contexto da globalização neoliberal nos anos 90. Foi eurodeputado pelo Partido Socialista, em 1999, e candidato derrotado à Presidência do Parlamento Europeu.

 

O pintor Júlio Pomar deixou-nos dele um retrato impressivo das suas presidências abertas, na galeria dos retratos presidenciais do Museu da Presidência da República. No início do século XXI, foi uma das vozes mais críticas da globalização selvagem e do ataque da coligação internacional, não fundamentado ou, no mínimo, justificado com o insuficiente conceito de guerra preventiva e das enganosas armas de destruição maciça pelo caricato e belicista Presidente G. W Bush, ao Iraque em 2003, enfileirando num discurso harmonioso com Diogo Freitas do Amaral.

 

No ano de 2006, candidatou-se à Presidência da República e, com o pretexto de que estaria já demasiado idoso, foi preterido eleitoralmente a favor de Aníbal Cavaco Silva. Viu-se confrontado duas vezes como primeiro-ministro com a gestão de difíceis condições financeiras, que o levaram a pedir a colaboração do Fundo Monetário Internacional. Testemunhou com graça que, numa situação de emergência financeira, lhe ligou uma vez, à noite, o Presidente do Banco de Portugal a dar conta da situação crítica, ao que este terá respondido “deixe-me dormir homem para que amanhã acorde fresco para resolver o problema”, pelo que se tornou num dos sócios da Associação Portuguesa Amigos da Sesta.

 

Em 2007, foi nomeado presidente da Comissão da Liberdade Religiosa. No ano de 2010, recebeu o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Lisboa, no âmbito do Centenário do Regime Republicano. Faleceu a 7 de janeiro de 2017 com 92 anos, tendo recebido honras de Estado no seu funeral, com um simbólico velório no Mosteiro dos Jerónimos, e com uma expressiva manifestação de pesar coletivo da população portuguesa na dolorosa hora da sua partida, ao mesmo tempo que o Governo Português decretou luto nacional de 3 dias e que foi efectuada uma sentida homenagem pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Podemos concluir que Mário Soares foi um incansável lutador pelas liberdades políticas, ao longo da sua vida pública contra o autoritarismo do regime de Oliveira Salazar e do sistema do pensamento único imposto pelas premissas neoliberais e, ainda, pela dignidade humana oprimida pelos tentáculos da tecnocracia vigente, aproximando-se, no fim da vida, das clarividentes posições internacionais do Papa Francisco e mesmo de uma angústia agnóstica nas sábias palavras do Padre Vítor Feytor Pinto.

 

Nuno Sotto Mayor Ferrão

 

 

DONALD TRUMP, UMA VITÓRIA DEMOCRÁTICA INESPERADA NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DOS E.U.A.

Resultado de imagem para donald trump

Parece-me que o populismo é um conceito grato à linguagem do politicamente correto, mas urge reformar profundamente o sistema internacional dominado pela globalização, sem partirmos de uma vontade radical de rebentarmos com o sistema. A moeda Euro no sistema financeiro internacional atual não funciona de forma escorreita, mas acabar com este sistema monetário poderá ser excessivamente revolucionário.

 

Convém pensar numa transição para um sistema misto de vários Euros ou, eventualmente, num regresso paulatino às soberanias monetárias, todavia isto exige muita ponderação e discussão na opinião pública nacional e internacional.

 

Por outro lado, da única superpotência sobrante assusta pensar que foi eleito um Presidente, Donald Trump, que promete ser tão parecido com G. W. Bush na sua impetuosidade arrogante. Depois dos anos da esperança do "Yes we can" de B. Obama, ressurge a promessa de um EUA interessado no seu umbigo, o que nos deixa grandes incertezas depois da afirmação mundial de protagonistas promissores como o Papa Francisco ou António Guterres como futuro Secretário-Geral das Nações Unidas que nos abriram, ao mundo, uma janela de esperança.

 

Certamente virão, de novo, tempos difíceis porque a estratégia de fechamento ao exterior, como foi o caso recente do Reino Unido com o "Brexit", não trás nenhum bom augúrio.

Esperamos que as forças moderadas dos EUA e dos seus aliados externos possam limar o Presidente Trump nas suas arestas mais cortantes do seu radicalismo... Importa impedi-lo de um dia carregar no botão das bombas atómicas, porque o mundo não comportaria uma guerra nuclear, ou seja, uma terceira guerra mundial, pois as bombas nucleares que hoje existem são bem diferentes das de 1945 e a sua dispersão geográfica implicaria uma catástrofe para a toda Humanidade e para todo o nosso planeta ou “casa comum”, como nos recorda o Papa Francisco na sua linguagem ecológica e teológica.

 

Nuno Sotto Mayor Ferrão

 

LINHAS DE FORÇA DA HISTÓRIA UNIVERSAL DO SÉCULO XXI (2001-2016)

Resultado de imagem para 11 setembro de 2001Resultado de imagem para crise financeira de 2008Resultado de imagem para papa francisco esperança

 

A História Universal do início do século XXI tem-nos trazido, em maior número, grandes acontecimentos negativos do que positivos. Esta afirmação, eventualmente polémica, faz-nos perguntar: onde mora a marcha progressiva da Civilização mundial ? Ora passemos, em revista, os principais acontecimentos que marcaram o início do século XXI.

 

Assim, conta-se em maior número os gigantescos acontecimentos deprimentes, do que os grandes acontecimentos esperançosos. Pretendemos traçar, com estas linhas, uma breve síntese de alguns dos traços históricos mais relevantes do século XXI.

 

O nosso século começou, de forma francamente negativa, com o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 às Torres Gémeas em Nova Iorque, que ceifou a vida de mais 3000 a 4000 pessoas. Desconcertado com a vulnerabilidade do seu país, o presidente norte-americano G. W. Bush resolveu atacar o Afeganistão, nesse ano, e envolver-se numa guerra difícil no Iraque, que só terminou na primavera de 2003 com a deposição do regime totalitário de Saddam Hussein. Um dos poucos sinais de esperança, no início deste século, foi a independência de Timor-Leste em 2002 sob os auspícios da comunidade internacional, que afastou este país das garras indonésias.

 

Os anos subsequentes da primeira década do século XXI foram tingidos de negro com o trágico tsunami asiático de 26 de dezembro de 2004, com a prisão do maior aldrabão financeiro da história da Humanidade, Bernie Madoff, que cometeu uma gigantesca fraude financeira que prejudicou uma multidão de seres humanos, com a crise financeira de 2008-2009, que começando na banca, abriu caminho a uma violenta crise económica mundial com nefastas repercussões na sociedade mundial, fazendo reviver, à Humanidade, os tons escuros da violenta crise económica de 1929.

 

O primeiro grande sinal de esperança, neste século, surgiu com a galvanização mundial resultante da eleição do presidente norte-americano, Barack Obama em 2008, primeiro presidente americano negro, que lançando o slogan “Yes, we can” entusiasmou grande parte da comunidade mundial.

 

Pouco depois, apareceu um grande pedregulho na marcha da Humanidade com a crise das dívidas soberanas europeias, o que foi descoberto em 2010 na Grécia, pondo em causa a sustentabilidade financeira da Zona Euro. Apesar deste desaire económico europeu, ventos de leste lançaram alguma esperança na economia mundo com a República Popular da China a afirmar-se, neste mesmo ano, como a segunda potência económica mundial.

 

Em 2011 Osama Bin Laden foi capturado e morto por forças norte-americanas, numa operação de sequestro, e a comunidade internacional julgou, prematuramente, que, face a isto, a Al-Qaeda e as organizações terroristas perderiam vigor. Nada mais enganador.

 

Entretanto, desde o fim do século XX que o fenómeno da globalização, nas suas virtudes e nos seus defeitos, se aprofunda, designadamente criando crescentes clivagens sociais entre as pessoas muito ricas e as pessoas muito pobres no mundo e deixando as classes médias cada vez mais afogadas em dificuldades fiscais. Não obstante, vingou positivamente a revolução digital desde o fim do século XX, que tornou o mundo, cada vez mais, uma verdadeira “aldeia global”, favorecendo o acesso à informação, mas não à sabedoria, de milhões de pessoas em todo o mundo.

 

Em 2010 emergiu um fenómeno virtuoso com a designada “Primavera Árabe”, que acabou por ser um bom prenúncio, mas que tarda em afirmar-se como uma realidade. Em 2013 surgiu um sopro de esperança com a eleição de Francisco como Papa, que com a sua simplicidade franciscana e a sua sabedoria de jesuíta, tem levado a Igreja Católica a modernizar-se de acordo com o espírito do Concílio Vaticano II e a entusiasmar a comunidade católica e muitas populações pacifistas dos nossos dias.

 

Em 2014, com as guerras civis da Síria, da Ucrânia, com a prepotente anexação da Península da Crimeia sob o impulso imperialista de V. Putin e com a criação do Estado Islâmico, na região transfronteiriça da Síria e do Iraque, o mundo parece deixar-se tolher pelas dinâmicas nefastas das forças inversas da bondade.

 

No ano de 2015, a Europa foi acordada por uma violenta crise humanitária de refugiados, que acorreram à Europa em busca de asilo ou de melhores condições de vida. No entanto, este ano, referido, terminou com alguns fumos brancos de esperança nas conclusões da cimeira mundial do ambiente, realizada em Paris, não sem que antes a cidade Luz tenha acordado em 13 de novembro com um lastimável ato terrorista.

 

O presente ano, de 2016, foi marcado pelo trágico sismo que abalou a Itália, mas presentemente a comunidade internacional está a ser bafejada pela expetativa de António Guterres, político, diplomata e humanista cristão português, de alma lusófona, poder vir a ser eleito Secretário-Geral das Nações Unidas e vir a tentar reformar os meios humanitários desta benemérita instituição supranacional, em busca de um mundo melhor, numa utopia indispensável nos dias que correm, sempre velozes, na senda das Comemorações dos 500 anos do lançamento da obra Utopia de Thomas  More.

 

Sabendo o condicionalismo desta leitura, de sociologia histórica dos nossos dias, fortemente influenciada pelos meios de comunicação social, para os quais é notícia “o homem que mordeu o cão”, fui levado pela minha intuição histórica a testemunhar a veemência das linhas de força negativas que estão a comandar as dinâmicas sociais mundiais dos primeiros anos do século XXI.

 

Não obstante, há bons sinais de esperança, mas para isso é preciso que homens e líderes se deixem guiar, q.b., por um pragmatismo temperado por alguns ideais utópicos. Em suma, como dizia o pensador francês Paul Ricouer, sem uma Humanidade que saiba cozinhar a ideologia, em voga, com ideais utópicos não se alcançarão os progressos desejáveis do nosso evoluir histórico coletivo como Humanidade.

Nuno Sotto Mayor Ferrão

 

 

O PATRIOTISMO NOS DIAS DE HOJE – SUA ATUALIDADE CONJUNTURAL

 

 

O patriotismo é, por definição, o sentimento de amor à pátria mediante a defesa do país, como Portugal na 1ª guerra mundial, ou o enaltecimento dos valores históricos, culturais, linguísticos e simbólicos de um povo.

 

Em Portugal, rapidamente se oscila quase de um complexo de inferioridade a um complexo de superioridade, daí que a ideia de decadência da nação tenha perpassado na mentalidade portuguesa quase todo o século XIX, ao ponto de aparecer um golpe de estado conhecido como Regeneração (1851).

 

Se nos devemos congratular com as vitórias e as conquistas desportistas (como foi o caso dos futebolistas no Euro 2016 ou os desportistas medalhados do atletismo), o importante é o que permanece no conjunto de virtudes de um povo. Portugal, historicamente e por influência da matriz católica, tem sido um país pacífico e bastante solidário com os outros povos em dificuldades.

 

Um dos motivos que mais nos deve orgulhar é a utopia da fraternidade universal sustentada pelo sapateiro Bandarra, pelo prosador Padre António Vieira e pelo poeta Fernando Pessoa, porque a construção de um império de matriz espiritual, que permita a sã convivência da multitude de povos e de civilizações, deve ser um sonho que nos deve fazer orgulhar, por sermos um povo com uma “costela” de poeta, como aliás bem se evidencia no fado que soubemos erguer a Património Comum da Humanidade.

 

O património histórico e linguístico português, consubstanciado no espaço lusófono, é o caminho para a concretização desta utopia, que tanta falta faz nos dias que correm.

 

Sem dúvida que o século XIX foi um século de grandes contradições em Portugal, com grandes actos patrióticos e desconfianças face ao valor da nação, como foram os casos de Antero de Quental, no seu texto sobre as causas da decadência dos povos peninsulares, ou o emblemático e amesquinhado Zé-Povinho de Rafael Bordalo Pinheiro. A sátira bordalista contribuiu para o reforço do complexo de inferioridade lusitano, mas o que parece certo é que desde Viriato os Lusitanos foram uns bravos valentões em resiliência perante o poderio militar romano.

 

Por todas estas razões (e mais algumas que tenhamos esquecido de elencar) há, neste momento coletivo de crise do paradigma globalizante, um retorno claro aos sentimentos patrióticos, desde que não se caia numa atitude xenófoba. As competições desportivas despertam os sentimentos patrióticos, em particular com comoções coletivas quando as populações ouvem e cantam os seus hinos nacionais ou observam a subida das suas bandeiras nas hastes dos recintos desportivos.

 

Há ainda um motivo acrescido para que, e na Europa em especial, venha à tona o sentimento patriótico, uma vez que a conjuntura histórica do início do século XXI acrescida das crises das dívidas soberanas da Grécia, da Irlanda e de Portugal e o ‘Brexit’ da Inglaterra têm criado desconfiança na moeda comum – Euro - e feito esboroar o espírito europeísta, com receios generalizados de novos referendos nacionais, por ausência de lideranças europeias carismáticas e de uma sólida estratégia comum.

 

Como a “virtude está no meio”, assim o diz o ditado popular, ressurgem “patriotismos regionalistas de espaços alargados”, de que é um excelente exemplo o espaço lusófono que une os povos falantes de língua portuguesa, que se sentem irmanados por um espírito e uma identidade históricas comuns.

 

Perante a crise do fenómeno globalizante no aspecto económico-financeiro de completa desregulação, configurando um verdadeiro caos ético mundial que afecta as outras esferas coletivas, faz todo o sentido este ressurgir dos fenómenos patrióticos com uma mentalidade aberta ao diálogo pacífico e cooperante nas Nações Unidas, numa necessária reformulação desta instituição supranacional, que tenha em conta as recomendações do Papa Francisco para a preservação desta nossa casa comum, que é a terra. Se estes patriotismos alargados fazem sentido, os patriotismos estritos como o Escocês ou o Catalão são fenómenos perigosos de desaglutinação da Humanidade.

 

Por fim, é sintomático que, neste contexto histórico, Marcelo Rebelo de Sousa, pessoa culta, sensível e humanista, tenha dado um exemplo singular de patriota, por formação e por convicção, desde o seu discurso inaugural de posse do cargo de Presidente da República Portuguesa, bastante mobilizador das forças unidas dos portugueses, até aos seus atos insólitos que muito o têm aproximado da população portuguesa.

 

O patriotismo é, pois, um sentimento que está na moda, mas que, na verdade, nunca deve estar afastado das nossas tendências, uma vez que parte da nossa genuína identidade coletiva como povo e como parcela da Humanidade.

 

Nuno Sotto Mayor Ferrão

 

 

 

 

 

 

 

DA ENCÍCLICA "LAUDATO SI" À CIMEIRA DO CLIMA EM PARIS DE 2015 (COP21)


“(...) Preocupa a fraqueza da reação internacional. A submissão da política à tecnologia e à finança demonstra-se na falência das cimeiras mundais sobre o ambiente. Há demasiados interesses particulares, e, com muita facilidade, o interesse económico chega a prevalecer sobre o bem comum e manipular a informação para não ver afetados os seus projetos. (...) os poderes económicos continuam a justificar o sistema mundial atual, onde predomina uma especulação e uma busca de receitas financeiras que tendem a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a dignidade humana e sobre o meio ambiente. (...)”

                                                                                                              Papa Francisco, Laudato Si – Sobre o cuidado da casa comum,

                                                                                                              Lisboa, Paulus Editora, 2015, pp. 43-44.

 

O Papa Francisco, na encíclica Laudato Si, faz uma pertinente reflexão sobre o que está a acontecer ao nosso planeta, identificando a raiz antropológica deste problema global, a necessidade de medidas individuais, globais e de uma educação e espiritualidade ecológicas para cuidarmos da nossa casa comum. O seu lúcido ponto de partida é a crítica veemente das políticas neoliberais, que se ancoram no pântano relativista dos valores, na senda das reflexões deixadas pelo Papa Emérito Bento XVI.

 

Deste modo, lança-nos a interrogação de saber se a nossa preocupação, com o desenvolvimento sustentável do planeta, estará esquecida sob a desmesurada ambição, à luz dum são desenvolvimento integral do Homem, com crescimento económico contínuo.

 

Não é por acaso que a figura inspiradora do seu pontificado é um místico medieval – São Francisco de Assis -, porque esta contemporaneidade demasiado materialista não se compadece com as necessidades do Bem Comum e com o desenvolvimento integral do ser humano. Diz-nos, de forma inequívoca, que o paradigma tecnocrático associado à mecânica financeira está esgotado como solução global.

 

Evoca a necessidade de se encontrar rapidamente outros recursos energéticos que não sejam tão poluentes quanto o petróleo, cujo sentido esteve no espírito que presidiu à cimeira do clima de dezembro de 2015. Salienta, com muita sabedoria, a importância de se preservar o mundo legado pelo nosso Criador e a sua rica biodiversidade.

 

Coloca a tónica na problemática que nos indica que, historicamente, o progresso tecnológico e económico dos séculos XIX a XXI não se tem traduzido num autêntico desenvolvimento integral do ser humano e da qualidade de vida das pessoas e dos animais.

 

Desconstrói, assim, o mito de um progresso material ilimitado, pois só será possível superá-lo com uma consciência ecológica global, que nos deve fazer intuir do nosso dever de preservar a natureza e a atmosfera que nos rodeiam.

 

Frisa o santo padre que, como cristãos ou como concidadãos de boa vontade, devemos romper, definitivamente, com os hábitos individualistas e consumistas para possibilitarmos a manifestação de atitudes de ajuda mútua e de preocupação para com o próximo e o nosso ambiente comum.  

 

Nesta cimeira do clima de Paris 2015, muitos países poderosos e multimilionários famosos fizeram promesssas de combater o flagelo do aquecimento global, que tem feito aumentar o número de catástrofes naturais, investindo recursos financeiros em energias limpas.

 

Alguns países europeus ricos disponibilizaram uma verba avultada para ajudarem os países pobres a reduzirem as emissões de CO2. Espera-se que desta cimeira resulte um acordo internacional substantivo para travar o aquecimento global, com medidas claras e com uma posterior implementação efetiva, de forma a substituir o Protocolo de Quioto de 1997.

 

Os presidentes dos EUA e da China reconheceram as suas responsabilidades históricas no grau de alterações climáticas, como grandes potências industriais, tal como é atualmente bem visível na poluição dos céus de Pequim. Nesta cimeira, como em muitas outras, as divisões Norte/Sul e entre países ricos e pobres mantêm-se no registo das anteriores. O presidente Chinês Xi Jinping falou na necessidade de conjugar a luta contra as alterações climáticas com a urgência de acudir ao pleno desenvolvimento dos países pobres.

 

Muitos países, em particular as nações pobres, vincaram ser necessário estabelecer um acordo que assuma um valor legal, ficando a questão de saber quem fiscaliza e sanciona eventuais prevaricações. O Estado polinésio de Tuvalu insitiu na premência de se constituir um seguro mundial para os desastres naturais climáticos, dada a sua natural vulnerabilidade insular.

 

Nesta decisiva cimeira para o futuro sustentável do planeta, participam representantes de quase 200 países, que trabalharam a partir de um texto prévio acordado como base de discussão para as negociações que decorreram em Paris. Com os compromissos assumidos, as emissões de gases com efeitos de estufa irão continuar a aumentar, embora o objetivo seja que o mundo em aquecimento permanente, desde os primórdios da era industrial, não ultrapasse os dois graus em 2100, pois, caso contrário, o clima poderá começar a ser em muitos locais impróprio para a sobrevivência condigna da Humanidade e de muitas espécies.

 

O sucesso desta cimeira será avaliado em função das metas estabelecidas e da sua real implementação, no sentido de se garantir uma redução das alterações climáticas. Na verdade, esta titânica luta internacional, que urge no tempo, começou na cimeira do Rio de Janeiro em 1992.

 

Em virtude da grandiosidade deste evento que conta com a participação de 50.000 convidados, incluindo especialistas, políticos e investidores, houve um reforço da segurança, depois dos atentados de Paris de 13 novembro de 2015, com o patrulhamento de 11 mil soldados.

 

Após o insucesso da cimeira do clima de Copenhaga de 2009, a margem para o malogro desta cimeira é nula, porquanto poderá ser tarde demais como o reconhece o Papa Francisco, a propósito da necessidade de mudar imediatamente de hábitos individuais e coletivos e, consequentemente, de paradigma de desenvolvimento.

 

Em suma, os riscos de não se agir rapidamente encontram-se na continuação do imparável aquecimento global, com o consequente degelo das calotas polares e do perigo da cada vez maior frequência de catastrófes naturais, que assolam assustadoramente o nosso mundo neste início do século XXI.

 

Nuno Sotto Mayor Ferrão

 

DECLÍNIO CIVILIZACIONAL DO VELHO CONTINENTE (1914-2015) ?

 

A Europa tem sido denominada de velho continente, pois conseguiu afirmou-se como o berço humanista do mundo por ter feito despontar na sua Civilização a democracia liberal, um rico património ético e uma apurada sensibilidade defensora dos direitos humanos. Perguntamos se, realmente, a Europa se encontra num lento declínio civilizacional como o escreveu Osvald Spengler, no início do século XX, na obra O Declínio do Ocidente e como o pretende sustentar, também, o nosso insigne pensador Adriano Moreira.

 

Na altura, em que Spengler sustentou a sua tese decadentista a Europa, em 1918, acabara de sair de um conflito improcedente que gerou a luta de todos contra todos, designadamente fruto de uma louca ambição germânica. Arnold Toynbee, historiador britânico, vem nos anos subsequentes contrariar esta tese com uma inspiração mais espiritualista.

 

Iremos analisar o percurso histórico da Europa que nos permite perceber se esta intuição de Spengler será ainda verdadeira, ou não, nos nossos dias. Na realidade, as duas guerras mundiais que o velho continente desencadeou nos anos de 1914-1918 e de 1939-1945 por excessiva ambição germânica permitiu a ascensão dos EUA e da URSS como superpotências, ao mesmo tempo que deixou de rastos o velho continente, esfacelado em ruínas e com a sua economia nas ruas da amargura.

 

Destes tenebrosos escombros sombraíram homens de uma fibra invulgar que lutaram contra o monstro titânico chamado Adolfo Hitler ou afirmaram-se na hercúlea necessidade reconstrutora, designadamente Winston Churchill, Charles de Gaulle, Roberto Schuman e Jean Monnet.

 

Esta verdadeira loucura coletiva iniciada pela Tríplice Aliança e pelas potências do Eixo, com dois contumazes repetentes no erro, a Alemanha e a Itália, acabou por levar os europeus à perda dos seus impérios coloniais, fruto do esforço autonomista dos territórios dependentes e da consagrada ideologia do direito de autodeterminação dos povos, saída das Nações Unidas.

 

Perante esta depressão coletiva, a Europa gizou um projeto institucionalista, que começou na CECA e se transformou na CEE durante os anos 50, de relançamento material das suas condições de produção industrial, beneficiando dos trinta gloriosos anos de progresso económico (1945-1973), todavia com as crises dos anos 70 a par do emergir da potência nipónica fizeram claudicar os ânimos europeístas.

 

O fim da guerra fria fez pensar alguns ideólogos, no fim do século XX, que com a globalização, com as políticas neoliberais e com o reforço institucional da comunidade europeia transformada em União Europeia seria possível relançar o velho continente para novos horizontes.

 

Neste contexto histórico, aparece a teoria de Francis Fukuyama que ingenuamente pensou que o fim da História estaria a chegar com a expansão das democracias liberais no mundo, no entanto o caos aberto na política internacional com o desaparecimento da outra superpotência, a URSS, impediu que o paradigma ocidental se mundializasse e nem a teoria dos mercados livres pôde singrar, pois logo em 2008 surgiu uma violenta crise do Capitalismo Financeiro.

 

Entretanto, a Europa comunitária avançou para um sistema monetário comum, com a implementação do Euro, sem perceber que não estavam reunidas as condições de coesão económica e financeira nos países da zona Euro, o que levou, naturalmente, à crise das dívidas soberanas que principiou com o caso grego em 2010 e proliferou por outros países europeus designados PIGs.

 

Esta crise, do fim da primeira década do século XXI e início da segunda década, disseminou a vontade europeísta de construção de um projeto comum, que, aliás, começou logo em países integrados na zona Euro e em outros apostados nas suas moedas nacionais.

 

Contudo, houve uma tentativa de responder à crise da Zona Euro com políticas austeritárias, na senda do que vinha sendo desenhado pelas políticas neoliberais, só que estas políticas representavam uma perceção economicista do Homem, o que o deixou vulnerável a novos perigos como o reconhecem os vários relatórios do PNUD, pois tem sido descartado o desenvolvimento sustentável e a própria enciclíca do Papa Francisco Laudato Si vem sublinhar estes mesmos riscos com que a Humanidade, e não já só a Europa, se confronta.

 

Aliás, o escândalo recente das manipulações nas marcas automóveis europeias quanto às emissões poluentes demonstra a falta de valores das grandes empresas multinacionais.

 

Na Europa, até ao início do século XX, estavam as principais potências geo-estratégicas internacionais, mas encontra-se hoje em grande dificuldade, pois os seus grandes países perderam protagonismo mundial e emergem novas potências mundiais concorrentes como o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, designados BRICS.

 

De tal forma, esta transformação se reflectiu na diminuição do peso estratégico da Europa no mundo que os países mais ricos e industrializados do mundo no fim do século XX se reuniam no G7 com representatividade de 57% de países europeus, enquanto no início do século XXI o G20 já apresenta apenas uma representativa europeia de 30 %. Este aparente declínio civilizacional da Europa é fruto não de um atraso de desenvolvimento deste continente, mas, sobretudo, da crise demográfica que a faz mais diminuta populacionalmente no conjunto das nações.

 

Esta debilidade do velho continente não é, portanto, nenhuma novidade, só que algumas ilusões políticas tornaram esta realidade menos notória para a opinião pública europeia. A ausência de uma política concertada e avisada perante a crise humanitária de refugiados, que nestes últimos meses (julho, agosto e setembro de 2015) tem acorrido à Europa fruto das guerras em países como a Síria, o Iraque e o Afeganistão, mostra à saciedade a falta de uma consciência ética europeia que permitisse uma forte política comum de resposta a esta candente problemática migratória.

 

A Europa tem estado a olhar para os seus próprios problemas, para o seu umbigo, nomedamente com a questão chamada “Grexit” e só quando o problema transbordou as suas fronteiras e milhares de pessoas faleceram na travessia do Mar Mediterrâneo acabou por acordar para esta problemática de crise humanitária dos refugiados e a migração em massa para o velho continente.

 

A decadência da Europa explica-se, na atualidade, concomitantemente pela ausência de elites que saibam liderar os seus povos com carisma e determinação, apesar das agruras do momento como o fez Winston Churchill em 1940, e também pelo facto do velho continente em várias décadas ter vivido de uma mentalidade excessivamente pragmática de resposta às questões imediatas, sem pensar em definir um conceito estratégico comum com horizontes mais vastos que tivessem em conta a riqueza do património ético e histórico da Civilização Europeia.

 

Este relativismo escorado nas diferentes identidades nacionais, sem perceber que o que nos une é mais forte do aquilo que nos separa, acabou por deixar a União Europeia sem norte e por guiar-se pela principal potência industrial, a Alemanha, que carece da sensibilidade humanista de outros povos europeus.

 

Foi pena que aquando da discussão de uma Constituição Europeia, necessária para responder ao quadro da globalização desregulada, não se tenha definido como base da matriz identitária europeia o cristianismo. Aliás, é um argentino que com o seu atual carisma está a conseguir mobilizar o mundo para a necessidade de definir um paradigma comum para a unidade e a sustentabilidade da própria Humanidade, refiro-me ao Papa Francisco.

 

Em suma, só seguindo o exemplo inspirador do Papa Francisco, com as suas atitudes de simplicidade e de espontaneidade, a Europa poderá ter lideranças confiáveis que mobilizem as suas populações para uma unidade fraterna em torno de um projeto comum moldado numa estratégia que respeite as diferentes identidades nacionais, mas que una os europeus nos seus valores comuns e em prioridades bem definidas. Caso contrário, a Europa entrará verdadeiramente num inevitável declínio fruto de divisionismos políticos de que a Escócia, a Catalunha e a intolerante Hungria bem exemplificam.

 

Nuno Sotto Mayor Ferrão

 

 

A CONSCIÊNCIA ÉTICA NA CONDUTA DE FREI BARTOLOMEU DOS MÁRTIRES – V CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO (1514-2014)

             data:image/jpeg;base64,/9j/4AAQSkZJRgABAQAAAQABAAD/2wCEAAkGBxQTEhUUExQWFhUXGBwaFxgXGBseGBodGh8fHhgcHBoYHCggHBwlHRcYIjEhJSkrLi4uHB8zODMsNygtLisBCgoKDg0OGxAQGiwkICQsLCwsLCwsLCwsLCwsLDQsLCwsLCwsLCwsLCwsLCwsLCwsLCwsLCwsLCwsLCwsLCwsLP/AABEIAQMAwgMBIgACEQEDEQH/xAAcAAABBQEBAQAAAAAAAAAAAAAGAAMEBQcCAQj/xABREAABAgMFBAQICQcJCQEAAAABAhEAAyEEBRIxQQYiUWETMnGBB1KRobHB0eEUIyRCYnKCwvAzc4OistLTFjRTVFVjkpPDFSVDRHSj4uPxNf/EABkBAAMBAQEAAAAAAAAAAAAAAAIDBAEABf/EAC4RAAIBAgQEBQQCAwAAAAAAAAABAgMREiExQQQTM1EjUnGBoRQiMmFCsTSR8P/aAAwDAQACEQMRAD8Aq7su9c1eHFgqAnxTQOTrq1Im3xcgkHCtYK8IOEK4lgQCcRGr8oj2WZgxrdWLdG5mEkhyA/bA5fNqmqtLiZjUCWC6rABYBQch8so8dJyPV0RMRJQlZE0THGqQCCO3EKOWiSizy3AYVyZh5cU+kUFsuq1GaadHxwk4a5s3HUc48Vc9oQQsBVQCCocTmAdA2cG4LzGKT7F7OtchDYgxOTt5aT48F52Tx2+y/wDrQPWm5VzFVO8wBBcEHgxGUO2XZKcoDDLKicgFpKjxoA9IdCNG33MTJ1b5IK7LedjP/MBP1kEaN/S8Iky7VYf63L/wn+JA4jYW0n/k5p+1Dydg7R/UJh+2fbDfA2uL8UvJl4WBJ/nSCeST/EiNN2jsqTScFcwj2zYrZmwc/wDqEwfbPrMRpmwFq0sc0fa9sY+T+zlzf0S5u01mHE/Y4fpYYnbT2ZQqFafMH8WIc3YK1AEmzTQBriHsiBK2TnKBIlKYalYAPYSAIHDw/dhXrdkXMvaOyg0C+9P/ALYfG1FmJLhVfof+2KE7IT2J6MlmyWknyCsPWLYu0TA6LPMUOSh7I7Bw/dnXrdkEsraays3SM9aoH8WJn+1bCrrWlA+zl/3IGkeD+1a2SaftD2RJlbBWjWwzP8fvgkqC7gt1f0EK7VYKfK5dPon+JDE23WJIpaUHOgSdc/8AixUK2En/ANnr/wAZ9sNK2EtH9SmD7XvjfB/Z3ikybelkJJ6R/sEf60Ni8bMSAku9BTX/AD4q7TsZPT1pCkcMSwH5B84rzs+pJckJY6qfIs4YcQ0BKNC2TYadbsFU2VLIFGJoHw6cWnvEe0y5IAYLKstwbpOlTMJfLy5RTTrstCyEgEihFGJcsGcVJf8ADQ3abntCcitknql8TimXGJ1BX/Ie2+wVXbYUkALVgJYh1AZ0bOpfTOLG/tnpkgdcOxKUpObaKxHUDSAu3pnoVLSvo5YSAzGldSdeMFYtZmSsMxc1RwJVjUaO5ACa9Uh86wEk45mrMr8CvFhRIrHsdiBwjtnlJ+NBLLUlOF9cK05eWBOdJK7eRjB+Mq5YEOSe7tgrmBnKlMKbwFRvy/bAnbLME2ihcmvOp7KFo2k9fQKexa7QHHasEpSkJw4mA1cZPoc6R0mxzyErNomF3SkvRuTwx0j21lZBCRStHGXlgzvRcqUhppCksCFv81YqGDsQWy1MZJtWSRqSzbBqXc0xYUemWQplKLirZF27aDhDsi4FoJInzkkUcKAyDkO2g0ixsG1VmlpKUT1pBamE5DRyjIxxadorGsEdIqqivqlwSGLbmR4coJRreV/6Ac6fc6Rdk7Di+GWgJ49I3pEOSrFMJZNvtP8AmD2Q/M2wsikBK1KXhbCVJNKaAJ88M2DaqxSSTLUsEvoaPWjpg0q3YBun3PVXcv8ArtqNHcTAQNKsKVhg3ZMUC1rtbDN1t92Hpu1tiON1rdYZRwmod/FFX1hSdsrGEdGpUxaBkkuAOdEiOarP+PwcnSW5A/2esg/LLSzOfjNDR2bKPZlxrQMCbTOOI9UKBJLOck8IlS9rLChYWkrBp82lMsxEm17dWNagoqmEh2cUqGI6vOMdOt2+DeZTT1KezXMtNBaJyQp2LgA6muHNjDpuVUtwLXPADO0wAVy0iRZNrbEgJGKYcJJBIq5+zoGEPXntrY57BapjAN1a95wxip1u3wc6lPuR5N2TCCRa7VQ1aY/3YeRYFs4tlrFa7+T0ru0rxh2RtrYkOUY0KPzxioODEEQxJ2psQCgVrOIgq3TUguKhOWsElWX8fgxypvcem2CYB/P7Q35wd+kNJu2cp8FttCqP+U8+UPzttbGtHRqWspdwMJpyDIhqw7VWCU2EqcA4VEKxB9aJzjWq3l+DL0luQLVdMxYINpnrAORU+Vcm4ViMdnVpBactlJY1BcKNNOyoi2/lNZVTVTTNUVF6lJpiDU3c21h3+VdnEsoTOWlGHC2FxTI9R374BwreX4GKpT7g+bvnqKUpnzHB3QDV010rSK229KhSVqnLVvhKia5ljzcQX3VbrOvEZTrVxJIOI0SXKQ2RNIptvpQlkJCgohSXIyd9OWUDFyx4WgvtcbpldtzIGKWpG4nCAQ7F05uDrvPXnF1Y0JNmONblUuUE8euSR2wO7Rb60lTB8Ll6Vzq2lXggsMoJRgCnISmhFBvFvx2R0umkzor7md4PxSFDwlHxvN7oULuaQtqgU2aaQ4LfelQCXKshYUCXCk9pxFo0DaxL2ab2fflRn9xpdYHFSPTFnDpcmRPV6sQqCD8OKHO6lKa59cPpzi82skn4ItRf5oAJehUC4oD/APYi35Ywi81IDsJSDU1fdNT2xO2mmKmWNTpUABLSHbQ8vTCIu84P0HSX2P3M80DR7LSTEgWXhHpTRhxj2bkGEjGODEhUuGimNQEkNKdobh6YGhqOAOFGPAY6KY5AjjhEwoRTHYTGmHqY9rHSUx2EmONG3j2OujMclMaYx+Rke6OldTvhSE7qu0D0w5MDS+0xxuwR7BycRm1ZsJcZ0eFtskpAdwcSXcuQQWzblHuwbtOZyWSaZ0ePdtJnSPMIIKpgcFuPAZR5Ff8AyH7f0ejR6X+yi2sxOkOWwBdfpFuA4w9sASTNBJZkNycmJXhKsolzmBNZKDXRyDTlDHg8T+VP1fSYLJ8M2A+ugw6EwokA9kKIcJQVe1yGs8zTd+/KjPLg/KD6yPTGkbZycUiYPo/flRmlxKZYJyCkv5YuodGRPU6sTSNoJgTe6iwLSkUOvVpFjtbOSZCkSzu7qwmm6SzjMsCchFTfE9Kr0KgXHRIy+zF5tPYgiSaAKVgNGqDUUFOXdE9PWPsUMB5cjECwrHKrCcOUXFgkgDSO5xQATiAbQnPlT1x6t3fIBwio3kC9qkKGYiKqCmfJSQSmoofdFHbJTaUg4yJ6lO2aKxaYaESpoiOBBomaOUoJLByTwgksGwtrmh8AR9csfIAYKvB5cSEJTNWkKnLqkH5qfUde8RrFnu4BD5FqxLUryvaCGqnFL7j50vTZG1SASqXiA1QX82fmiiwx9D21IUqmn41jJNvrqTLmiYgMmY7gZYh7RXyxtDiHN2lqdVoqKxIGJZpD6E5xyiWSKRzVvTFNxcVY9VDT1h5aaRyENnHJnSRIl9Qc1HzD3x1a6JSI6KOqOA9MM29VRGnWsgo8H9oKDNUFYeqH4PiD+eJnhBmI3UoDBKkCuai7kmtS5NYieDuWFdKFVBw9lMRiX4QpGAhBDFKkOzNpwjyeI6z9v6LqPTRW+Fb+cfoZfqiH4Okv0tdUU74e8J1oSuful2lIBbuhnwcyT8Yrmn0++Njf6YF9dB10f4/BhRLwCFEtmOuVe08r4uZru/flRlF0BzTxkemNfv2U8uYKkYK6HrS4yjZtIKg4cYkhss+cXUcqUieedSIS3enFblv4oyGpUnIdpgvvOUv4OVLZt1IIDPhzp5IGbqD2wqBAHRhiBky0+6DDaNa1hacChVOjBwwcA8QInX5R9ijQFEzQNDlFzdqQtIJBIANQzOATxH47YqbSjeDOQBT6gok9ruIvbrtciZZVgyME5KigzA+8ioK0AllKFElI8YZPT0bN6CZVMKItqIDjLLhr2UyihvuyFxwIcQRWu5wiyoXiCpqpwSoCmAYSQhuORPaBo5i3vZcSMsstadUCvNJ8sD+LCbxxAS0y2iRs3IC7VKSrLE57ACW80c26WQ8R7qtHRzkL8VQJ7NfM8UbETVpGx3faAJiJaBmUtw0evDODu8bzEmViKSrkGcjVn1gWueyImzkTS5KJaCKdclirT5pA8sFN7XZLtCDjSFjCRhOVc86PEUpXd12HONnZgZ/KRE3FMTKVLSnMqINH1agyMDd+Sv8AaScKE4ChRWFOCDhCqMKtGhXbs8gWe0IUxMwEFmoAlkgkDgfPEDZ2wJQhCWD4Slgfm5mmjKPnMZDCpYtw5NWa7GPy7hmhGNSWqxrUQ1PsYAIypXnGv3xc4IXhDBvf6ozm87vWFKxAI1CYoVS7OjFNZAumyMaZR4JWJTROmpwgg+6Grul1KjoIanuKlHY9XmYrpxdXfFrNSySTFQOMagJrYM9gJKl9MEB1Mlh3KPqjnbpKujKiXUVA5MM2AHHKPdgiU9MQCSycjWoU8WPhDdaUlsLmWMJSzB/dHm1uu/8Atiyn+AEbR5jh0SQO4g18oi68HKPi1n6Q/aEVu0uEpBAFUFyORSMtPfFz4N5fydZ+mH7lJ0glnQYt9ZB0JR4/jyx5HoT2womyGEW1gELcZpb9ZEZLsugFSXHzk6FmNHLczGs22oVrT7yIyLZpRxpAWQ5FNDqxiqD8Fi5Z1F6Btdcno7aUhJPxVQGwh1pIfuz5mDK9gnCvCeqEqpoSnLsfOBe4Fld5LCsjLYA0cOM4KpFgEuWvGWxEJILlQywl+FYRFO8R1wUTZ0qmBIKi5YABt3C5zOi288XFrmWczJUtDEplIVNAPWLAlEsZhZck4dQNXh+x2ZKFKTMxp4Kls4zpV83GhhyXdlmxbhwkVC1gEvkPFYh3B5RcpJCpwuQbTc09NoSiYDg6MGWUjPNW9U74JIPIDRojWkumYkDJIVUb1OsAdKqfui9kokpW6ulUpDYVpWp8q5ro9aDjEe0zJZmupgVDChOLeViBFQ3E8TAykrmxvGNmZ7b7GS3MsBqSdABUmNK2N2YlykS7PaJcoTinpFFSElQx1ALjrAU7jQwH2K+pkpZVZ5ZlzBQLIenDeDNThXlBjsrf6Js5Xw4JMxYSErwgISRQAjNJLDeB8kUqErXJKlSLZfyrRNkTxL6MIstejNSokbpGdKlwGyTSmVpa14kEhTMIi7WSZqrOyGUoMpJNKgFgVZVJzLdpOYTK2mmoQpCpZChRSVUUl+RES1qb20G0fu9UXkq3S+gx9HNqogTCoJBc7xAUsEuzOBlrE7ZsBa1kApwgjCWo5QSxBNDnAbee19mXLSgSnWAwBBLcGyGbCDvZFaTJNMM6mNOqU1wgaHIu2vYIGnTerQVSSS9SXbE0aAnaOzIxOrNiE0g3tHOBy+ZIoSHIyjpNHUnmZxtDYggpQOuoVA04PzjxdiwICddfTBBKsAVMVMOQ4xDnsSpZokA/j8cYYp7D2lmwUv04QlGpqfVFaUZCH7RMMyapej+bSOJSaxQtCR5u4ZbBICROUcmS/eFD1xN2/ICAlIJTjl76QMqEv2uWhvYOzhabQgqABSnPli9kd7bWZUqyI0UZgUxLkl0s/dpHnVeqyqP4gntPZAhIDDqEul2LkBOXGLrwdp+R8zNPmVLil2umKIQSoh0JcMQ7N5tYufB2Pkn6RVfty4KHQdwJdVBjj5en2x5HmIeN+PJChJ2NDSnAmPognzpjI9mJZJSRVlinF06eSNUmTTgmn6B9KYyvZWZvBPFYzHIxRDoMFrxIhrswsG2qUQG6INxSMYGfHOog3mJUsTAsg5MQSRyqQCaCAK6lhNunUwMlOWY3kv3weG2oUSU0G6+odg/nie+iH2zGpacQY9ZNO6OFSIllAIpT8ZRGmqaCebDiyOsM70ERZ9glzyiaLSJSpYYJI6xBxAlQcaxAvC81GamTLNX3iPxp6eyEdpp8hTSppAeqTvJLcQYv4fh2lj3IOJ4hN4Covy6pwnL6MnDiOEOghjUM5fKKy1JtMhCSoULtk/eK+WDuxbQoVScEATxiYj4vENxQ3nZ8AIB4xTbRbOKCDMs4dIqqU7kcVI8vV7W4Q6MpKyZPKK1Idx+FC0yMKVnGhNGIDgduZ7H9kEy71sN4Syem6GYASEgYk891ipKX0duAjMU2tOqYYtBTiCkbpGRTQjsIygnFMyM2mH9w7PSkhc60TB1wmSAcOM5lRxgcaDtiNtYvDPSiXaBLtPSSwlKVN0dVAKXMG6D8Y5BOTcYCLbeE2akJmzVzAnILUS3lMRkjgIFKxrlc+m562NS/PjzpxinvCWDQVJgB8Hd/rTLXLmqKpSSkJBLlGbhL/NoKeThB4uZiAUku4oR5jHm1qcoSzLKUk9ClvBJYS08awKbW2oISJSMznBhblBAVWuZPOAg2VUyYpa+NOfCHUu45ptWRWqsgRLA11iGExc3qHpFaRSKExclZhVsF1LQQasn7zxL8IBKrMMRSV40HFU4d5IFVB8myiHsRMYTqHJPawCnjrwhWtC5K8HV3GGYDFOsQ1X4ocVkC20DqALMyVvzIDFuAqIv/AAeK+QnlOPnXKij2nVhQlk4QqUdOIS7HgX9MW3g7mfIlAaTfvyoKH+PICfWQXYFcfTCiJ0x/BhRPZHWIN6zejlTXcbgzPEgRl9xkggirKQW7/dGibYzB0MxqjCP2hwgD2V/Ko/OS/SYfSfgyOn1EGFitCVW+YQCkEIc6viDkQdzbIhCMCaly5DMaAggA93dAjeaf97TgGyRy1EFSpWEuXLmjkEij6BuWWkSXu0/QpsKTNYMYrL5vDo0FT8h2xNnqgE2rt2JWEGgoO3U+X0RdQp4pXYriJ4IZasV1zSy5xzyTCmjyx4hOFMuX3n8d8dWgx660PGeo3OmYrMcXzJpT2BQBT5wqJdw7RqljoZylFNDLWCMxUJU9CH9jxAs8sKRaEeNLCx9ZBb0LUe6BxM4ihqk6eyEPVoffJMPb72VM9JmSmE5y6ckTBm6fFNdfeQ2XY5ipgkplkzSSMBoqgc58gTFvs7tYZDImb8sZFnUn94eceaCuQuRaT0hIWynStBIWjLJSWUjs5mFynKIcYRkU9k8G1onS3lzJPSMCZSypC65ioOWTsAYGbdclokqKJkpWIeLUEcQU5xtVrxdCmX0otMsF+qkT5TVIxJYEbwbI06xhq8lD4PgXhmY+rMPXSKUUGB5Oa9rRN9RJOzKFQjLQy+6pRkoSVUffIy3Rz7NO2Lvwb7R4ibNMNaqlEnvUj1jv4RE2slGXIWA5qBzAOb8mo/ZATInFCkqQSFJIII0Iyh8kqsBUk6UzardZsZL6ZRVLs0WNx3mm1WZE0dYUWBooZ9xz749nywK8Yhu4uzLoSurg9bLIC57hFHPkhKmPKDObJ4Anup3xVWi6ukUwLGHwqdwZErY1CcSsfVKQ7Z5K5xA2+lJlysKSC4SSBkHUksG1zifclkKVTJZzah7HPnZortv0MgO+ScyCaqB0AbMRJVa5ocdAY2tn4yCElKRJAAPaH85MWPg9tHxExD1xgt2rleyHvCaGMr/pk+lMVXg/XVYbVFf0kuDg78O2JkvGQd/Bz4qvKPbCiV0iePohQjExlgc2ykkSJgzdI/aHCAfZT8sj85L9JjRNopJmSpoDjcH7QMZrcE0pUCMwtBHaHaKKa8GQub8VGhXsgG9pwLsyMs8xBfa5uI5VFDl4oAqOxu6AaUqYu8ZhmsFEIc6MVBnEHM6yJAxIIKSSAzVYBywyrEqVrexRfMqb1tPRy1K4Cnacozp8c4A5Cp7oJtt7YUYEFwkuQWLEijPxHrgNTayhRUAC9KGvdHscNHDC/c8/ip4p27F9JU61HuEezzESzWsswll+agPQDES1XjMClABAw5u5bk9PRFeLIjtmWt3KwTpZOSiUH7aSkecgwLT5eFRTwJHki+2dstpts9MtBSkjfKimiAkhiwzLtSC+xeDZM+2TUzJ6sCEYlGWkJVioAN7EGzJhUtbjFpYy0x3ZpiwsdGVBZoMD4jyGGp7I3bZ/wb2GUqUibL6dawpZMwlgAN1OFJCfnBy1SOFINbBd1lsygmRJlSlH+jlpSTxcpEA2EkAlgtZNls0+cAiZgSpakAoJWHDzEUcs3uhi9rV0kwzpaSJZoFAbpOtcnzpFXtbf3xs5C1fk5q0tkKKIB5khoGJe0k2SFdEVAKbEkgFBOQJCgz5VZ4k5Um2y6M4wimGN72QLQxyIY9kZvfl0GVhmISeiVkcwlQOFQJ+sCz8YOpV745CkLA6VKyMQYU4MOUTbmQBZ5QWHRNxhSTkR0i0kHtBEMo3jdMGvaaTKrwazkmzTUJpMSvEoPmCAAQO4ju5wUmRQwCXahN33qqSay1kISo5hExlIqeBwgnVo0k2fFTEU1zB7fL2GJuIjhqeptGV4W7A7aUJY4utTBU+MAoU5E+SJths3yhI5K9B9keXpd85Kk4k4xmkpA3g+ZCaio15x3IvWXKmY5iVBSQd3Ekmo4UbPI1g2mwnplmSbXZ0oWFtmFYiNWFPS0B/hGOIYtSEPk1CkUbLLKNCvqyY1oTxxeYPmeyM98IMpIl7hBDJoGDHElwW58Yka+8Om/tK3wnjelf8ATJ9KYqPB+jeXwJQH/SIh3bO0zFFImhlJkpAbJnEPeD6QejmL+kkN2Ll+2HQjbhmhcn4yDf4Jz8whR18I+ifKI8hGY641NlDo5ob5mvamMr2ZlgqS+WNPmcjzxsC2ImN4h45umMm2WmhLcSsM2Z3TR9M4rp9Bsnl1EF1ixKt892BwoorLrJYV0g2kWVct0qc0BBObEOzQGbMIKrasKqoy04nqxCx5m0g5VOfpM6NmCDRgQxy0iVxWTKU87AF4SceCXukywSVECiSzB+DuawE2eWCKxsk5iC4oRXs1jJLUAlcwJoAtbNk2ItHpcLO8bdiPi6dpYu5a2cNXhWKWWcR+sSpXq/HOLSfMaWez1RVXX125eyLJdiJGteCSyDoZxSwmqJSFHQAsPUe6DNKJdiSQDjXNLVzLce8k98ZlsPa1olnCogl8s86QcXaozp4WrJIAT6zXm8Icsx+DfYlzL0XJnIXNJqFbqchQMBxq0dXfey1zCyAVLoCpVEjgwEQNrhvy+xQ9HsiZs9Y1JIURlxgVqFZYbmabV7PpmW61FcxQV0qjhDMHrR+3OJ9+3QhUlemJKVONMi/pgjvqR/vCefGYv2pHsgKVtbMVOEjokAYhKKnUSwOF9A7DzwSZmVkebQ7uG0IyWBiA4rGIecqHkgrtMvBY7vPGWt+3E585ijtCAZBSeCgORSo4fJSCC85j3dd55LfuIeMeYd2mkZ7tnPKrcg6hMseQkRr1oSxIjEVWvp7ZKVoZqAByxj2xvNvRvHtiPjbrCHRauyJeqz8GlskH45CVK1CcSTnwfDSGESJc2YEzUBSS76HLiK+eGL4th6OXLANZqSToQ4p2uBFlZ7Mrfn0EuXmTmfGI+qCKalxmKjm4rD2N01PNonIS3BXdSM926sa5claVFyML5YqqSdM86RoF42xMyUFDTFQ5g6P5XgM2/ZVmxEliUAkpINFJFXDmgzhCV5Xeo6DtGwH7XJKggkEHoWL8N0gnm5MWng7l/I1ls5v35UVd+ztwBT1QvCSXcFinsokxe+DsfITznfflRRBeBIXPrIt+gHAwosHTw9MKEZG5nloVhCm1DZc0e2Mg2bUAtDkNifnwjXrWmi3Dbr+RSIybZYDEN0HeSHq4q5IblD4dFgvKovQN9mq3kpJJAEvCQK4mIo7OeMGNttUsylrSySCBhAqwYP3nSA6xWh7cVIS4MriHTvJBprX0wRXvZhJkzAk0Il04GhOetYRG7wj8r3G5lpdBPIxks5e8o8z6Y0RFp644JPoeM2mKqe2PQ4eOG5PxbvYn2xe4fqxHucNM7vZHlrmbvcPx5o5utW/9kxVuQ7BvszM3EgcHjT7tSyny1AjILmt5QhLJegHW93OCY7XTZe62VM/dy4wncqausg7t1mExaX0xfjyPFtZksOyBix2qcoY8UshiwwqGYIzxVoeEM2S9LRMoCkMa7pPHnHXAwsmX2gfCsXFKfM8Zgm4JqbzLoV0YUqaFtukVIAOT4iA2caYoKBGMuoDNm198M2oacfZGXNtkgRtSd1dclH9ZI9Yiwtk3/dNk5JtDnsUfWBHM6zP0iS4CkpqA7FL6cGfKuVIHb8veXLsabImamYuX0jlIUG6RZJDKD0BbteCijpuwK3EXtUgf30v9sR9DW9VSecfPWzlbXZ/z0v8AbEfRNplEuQknsD+Vol4pXsjaQLXxiUuVLSN5SwQTphY+T2CCgyemVLsyfyUpjM+kRkDxqSTzPKKS2K6OdLmH5iJigCD1jhSgV+ktPkgs2WsuCSFHOZvE6nge/PvgIJ2SGTe5SXxIQmYtyEhzVnDFIUkNyJV5YB/CHOSqyoWkFIMwOnQsU+WoeDrbJLrUkFsaB6/ZGf7byejliWgAo6VBxEsHVhyc5HzQl5Tsh0M43YI7VLoioBKXIJJ6wbuzyi+8Ha/keHTpFH9eXFVtctKgCEgjBmQfmEOzcR2xa+DsfI3/ALwj9eXDKedBgy6qCzo+zyH2x7CCfoiFCcjMLIl7TGTM44CzfWlxkuzPWAr1k5Z825tGobSqHRTNQU/flRk9yrYjPNOWeekPpZ0pHT6kQ2uVeC1kFW8JdVEV66W9EFe0C1YFgpYOkvifUcQDw0gNuub8uU9WQnPJsSCX88GN729M2Qo5qdJKtCGASByAETrKUfYoBtCy6z9FXogBUantg7Wtkr5pMAU01MepT3IuJ1Q7a1bo7vXHl3zGJ+qYZnqoIVjNe6G3zJrZBPYVNLH1kD1xaTpGO0BPjEjyp98VclPxafrp80ENlR8tldr/AKsKZSg92cVjsUk6hKge1NI92aQD0lNYj7MnCJ8n+jnKI+rMDpiVst1pnbGLYF7ivNbTO6I8xYxp7Y5v9bTPLECVOdSX8YRm5tsh9I3j3xjN8fzif+cV6TGzSzvnvjGL/wD5zP8AzivSYOAFQl7Ipe22Yf3yPMQY+mLMhkO6gTXgD+BHzf4OpIXeVkScjNB8gKvux9MqS2RI9EBUWdwU8rEO9JxRKJJCuRHk7axJskooloS9QkP26xWXieknSpQydz2Jr6YtVzKvAmsHdtwR0SkpxE4kmrUb/wAjGc7eTmlpCvGlukklq5uwjSdsZ6UiUpYcNMcdwjKtvrd0kvE4JBSHHFJ15s0QztzbFtL8EDm0KClAck7iqnLMCncfPF74OF/JVD+8pw6yIG9pJpNCT1B2Vw5d4MXfg4I6JY+kP2kw5ZUGA86yNAf8OYUeAp4+ePIlGA/tbNCZMz6v35UZfcodQTqVI9MaRtmxs0x9E/flRndwflB9ZHpiig/CkBUXixDe2Xf0d5KQCSTLSS/EkE90Fm0CE9E6HZkivIV87wP7RJP+1lNn0SG/Vi3vyQqWDiU+6lxShzGQHHhE0G24+xRkC94lknsgEmZntg1veaMhwrAVMzPbHsQ0IOI/I5n6dkdWPrDtENzzWHrtDzEjnBsQgsloZKB9IQSWFHy6T3+iB9eaR9JMFdhR8rsx1JV+yIWUBIpHR29Q0nSAr7SDhPmESNmgy5nbHO06cM2xTeC1Sz2LFPRDuzPXXz9sYtbAP8blftTSYOwxUSF9X6w9MW+13XT9qKGzneT9YRm4a0LqWPjFd8YztCkfCZ/5xUbPIA6RQHH1Rje1Aa1zwPHMMiKmWPgyQ96WQf3h/YVH0etJGSj6fTHzZsFOKLdKWkhJTiIJam6Rr2xpNs2wWFHFaUgclIHohFZ52QdOF0HsiQUzFTOsohhow8p9UOfDwOsFBi1BirwZNT7jGVTNrw4e1EuRQTFa5ZRLv28BKl9IsLWMQ1cuX8bshd56DOWr6hTtPaUzZ0tCS6UoxEitVE07RgHljPfCKhJLpfCVpZzXR+2oh+5b4FpC0oSqXhKd4ka+zDEbwgSFIKQrxkNlUFtQADEk78zP9FMElHIoNvrF0M3C7jokYSc2cZw/4OpowrB8ZP7QiR4Vfy4/Mo9UQvBwkPMOoKPSYbFt8NmLduejSPJCiN0sKJMQ6wP7Vn5PNeu79+VGfXAfjB9ZHpg72uU9mmtw+9KgBujrNmSpFONaxZw+dGQir1Ymj7QTmvZSgf8AhIYj7MTr4ta/gqsaQDiSp3dRc6l+WUDE1eK3l+rhSzE0TiDVPKCbaSaDZiCGUAhNQxwjKJoq04L0KHo/cDbQpwuBidme2CRXVUfowNzszHsxPOrajU+JNzj41Pb6ojThWJdzj41HbGsUgumjfT9YQZWeX8osh+mofqe6BCaj4xPaIM7On4yynhN+4r2QC0KGFW2El7GVDOWpKx3Fj5iYjbMl1v4wJ8/vi7vORjs0xObpMDWxK3SjkCD3FvVGfzAX4DW2Z+MSO2BmRM309ogk23T8ajv9AgRVRY7RHMKOgU2BbzFdvujH9qh8stH5xXpjW7nLzDzMZRten5baPzh9UHHQXU1I9w2cTJqUkO8W1vucDIZRF2PlvakcgT+PLBZektiaawuc7SsPpRTjmCEuysoUqCn0iDfbGaDZmGWNJ7Kn2wL2xOFT8wREWdbJi8RUtSq1Gmbig5xzWJpnNJBBsBacKp5CQogChyL4hr2wtsZyyhIW7pWAA7sHoAXNKwz4P1pxT34J8rls+cObezMRxNhUpQUQaM6uHkjz63Xft/RTS6dxjwqLefSvxKPVELwef8X7PpPsiNtgt1AkBzKS5rVQNc9fZDng9O9O7EekwxK3DMU+ug7c8Y9hvpoUQ4ii5WW6SmalSHDFnJy68qBM2SXKnjo6jgqod2Z6QZS5YUFqJAShIJBq7rRwyFPNAgUyxbSkqJSVsG4Fx+BDqLdmtjJpZdyfLR8twsAMCQCQ1CoV8+fKC6+rsxyymQAaJBVQAq6yss2b0QL3x8TbBjKU/FAZ1oRm+pziwN/oUhKcYBqFEFIxA5UxMD6oF4rqS/QVk7pkVOzVoIIeXSjY+OWkVto2GtTn8l/mf+MFV2X7KlpKfiy4FVCWS9WPWpnpwjubekpYUnGlioropFSQwfeyGkPXF1lt8CZcPBgmvwfWxW8BLKeOMt5cMP3fsFa0TEqIlsKllvl9mDRV9S1ISnGhJDVQqWkHhiGOvlji7LZLkqJE6WrE74jKILmoIKqwX1VZ7fAH09NbkK1bOzXQoBIAId1NrpBJZbOomWUpKsCwpWGtA4PpismWyWSr4yWQtOFW/LAFXLALascpvJCZeDFKHBSVIC/tHHXsjPqKqWgfLg9w+N8y8OHefg3vgf2flKs6ldIkhONRTqWU3POBaRb0oXj6VBUyWdUsgNyK8mOTxLt1+oK0rC5bp0TgTmGzCjUEvAviamrWfoZyILJMu9oh8JWhUqoDvl5q8ooLTccwKDgDWpiPZb0lpwALQEoJVmgglTUYqycP3xJva9kTt0zJYAACcPRDt+fV+NI36qo9vg3kRRb2GxrQcRScOpakAu0Ox9otFqmzZXRlK1Yg62LcwAeEEtkvVKXJXLWTkFqQU96cdTzjmXaEBKhjljGoFTLRTCXpv8KRseJrdgZUKd82UWzOx9okTwuaEYWI3VPU93bBLarsmLcJSFDM8O2npeFarzlmX0fSywOI6IE8HIXWI9hvCVJb40LABDY5eE9oxVDnKMlWq3vYKMIJWKu0XJNUo0lHQ1BPndogWvZy0gnCmzhPWLmva5DctIvJl6yxMVMxy8RcMCgJIUGZgvvhHaCUmXgBlndAxESyphnvY3rGfVVVovg10IPUgbO3FMk4yqWhiytxRViCakHEeemkQtvZSEkdGQpBUkig45N2jKJFnvmXLW+MYSSSnElqjKisopb6vBM3CMSXMxOoYB+AJy4wtSnOpikMUYxjZEfaFAUpKSAMnpXe61H0eLq5rulyUqVLO6oB6knrHP8AHGK/biSELQC6VqGJh1WLNXhmYubskJ+DhSVB0IllXPEo0f1x0m+WjkljJQnJ8Yfjvj2GMfL0QoTY2x1IkEiYUVKsAIJYMFCp4AEiBW9+jTalLNVYiSEgMk4tFA73bBdcs6V0qukDCgU9XScmS1avD9/WCyqmCbZ90JAZADAF2UWNRTQNlDISwt3MeaBO8L6kLmfGS1sauuqvJRhwaFaL2swKSLPLCgkClQXJckHI5UDxIXdaZ0wqwpOdZkwAknXuFAOUOSLhlJWCKN1t5Ld2Jng7w/ZlpFfMtlnJLoQymVhSDRtATUPWnoyiRYLbY0sVWYrOqVFOE94LiObw2Y6RQUlQTx30F+fWEMp2OP8ATIH2k/vw+EaTWchMp1E7KIQS73sP9lpP6T3xIl3tYv7Jf7fviis+xT9a1oT2KSf9QRKRsIj+0EjvH8WG8uHmFY5eUsl3nYv7KH+P3xGmXxd+t1gfpPfEOfsINLek9qh65sV87YovS0oUPrI9cyMdOHnOU5eUtJt8XexAu4Dgeky88V1nvWypSUqsj8CCHf7RYeeIE3Y+YPnyz9tH70NK2Smj50v/ADEfvQPLo+cJVKnlLWVe1jQlQFlKjpjKdc6ioh+7b0sSUkLsImHjjZvPFF/JKb40r/MR+9HaNkZr9eWP0iP3o7l0fObzKnlCiXfN3/2YD+k98SpV6WE5XUP8z3wLy9jF6z0J+2j+JFjI2Gf/AJ5A+0mn/dglCn5wHOe8S7Vetib/APJ/X98Mrvew/wBlgdsz3xCXsIj+0Ae8fxYYm7EJApbUk8ykf6sby4eY5Tl5Tu33lYl0+BdF9RQJPLeNO6Kr4VZ94BGHE6d4OWJcEM7HIeWHV7Gq/p0H7Sf344Rsgyg60kO5ZSP34XKFJfyDjOp5TtV62cKCVSJaglsnDkGrkl2IetY5tl62YLdMlIU9EpfCA9K51EWVpuSWpKXyGYC5eXdUxHn3AgAFKZZDvWZvEDRix/8AsTpwvuUWlYr78tkuetDhaWCQCsOQA+lHHugos9nJktu9GZKGUkiuFRYECiSeEN2OwS5uArKgEAM5BI4jsaj5xd7STbIJZEhISkB1ADC7OEsSN4ksdYCclJWRqVnmUtOcKG+n5QoyxmI8TKSakAniQOENTx+PJChQbMRXKoaU7IclTVeMfKeUKFHPUJEoT1ON5WY1MdInK8ZWfEwoUFbI5lpJmFhU6anxY4lTVU3jnxPAwoUMishTO5c5WI7xyOp4xYJmqrvHI6mFCjpJXORWrnqrvKzGp4Qzb56sI3lZDU8IUKE2zDvmR7HPXiO8rymJ8yep17ysjqY8hQO5u5PkzVYTvHrcTwiPbJyvGOadTzhQobFZgSGVTVbu8cjqeUeImHDmfna8oUKGtIxEK0TlYjvHynlDHTq8ZWupj2FCkshgxOmq8Y5cTEYrJZyTXU84UKFxNZMsqRSmsTOiSakAniQH0hQo7cwbePIUKCAP/9k=

 

 

Frei Bartolomeu dos Mártires foi um importante eclesiástico dominicano nascido no ano de 1514 em Lisboa, perfizeram-se agora cinco séculos. Foi baptizado na Igreja de S. Maria dos Mártires nesta cidade, da qual recebeu o seu apelido. Formou-se em estudos teológicos e filosóficos, o que o levou a leccionar (1538-1557) e a escrever sobre temas religiosos. Recebeu a ordenação episcopal em S. Domingos de Benfica no dia 3 de setembro de 1558.

 

A sua acção pública teve bastante relevância na História de Portugal e da Igreja Católica, como iremos verificar. Apesar de ter sido perceptor de D. António, Prior do Crato, manteve uma neutralidade na crise dinástica portuguesa, em 1580, eventualmente para não acicatar uma guerra civil.

 

Destacou-se como Arcebispo de Braga (1559-1582), na segunda metade do século XVI, tendo neste cargo participado activamente no Concílio de Trento (1562-1563) na altura da adversa cisão protestante, que abriu uma profunda crise no Cristianismo Ocidental. 

 

Nesta dignidade eclesiástica cumpriu com prontidão as decisões conciliares ao preparar a obra Catecismo ou Doutrina Cristã e Práticas Espirituais, ao instituir aulas de teologia moral para os sacerdotes, ao escrever dezenas de obras de doutrina cristã e ao realizar inúmeras visitas pastorais, que o celebrizaram junto da população.

 

Pela sua sensibilidade para as questões da formação promoveu o ensino ao atribuir aos Jesuítas o encargo de instruir a população no Colégio de São Paulo, em Braga, e quando regressou de Itália reuniu um Sínodo Diocesano e outro Provincial para fazer cumprir as deliberações concilares.  Nas palavras atentas do Professor Adriano Moreira e de D. Manuel Clemente, o seu perfil de entrega caritativa e a sua forte sensibilidade ética antecipam a ação pastoral do Papa Francisco.

 

O seu objectivo eclesiástico, como Arcebispo, foi o de formar um clero dedicado e íntegro, que respondesse aos desafios lançados por Erasmo de Roterdão e Martinho Lutero, evangelizando e incutindo uma forte consciência moral aos fiéis. Conta uma tradição popular que, num momento em que a peste grassava no país, soube ceder, inclusivamente, as suas vestes e o seu leito a um doente.

 

O eminente escritor Frei Luís de Sousa redigiu a sua biografia no início do século XVII. Faleceu em 1590 como uma figura carismática, que logo foi aclamado pelos populares como santo pelas suas constantes visitas aos mais pobres e doentes. O Papa João Paulo II, culminando a aura caritativa que o envolveu, reconheceu-o como beato no dia 7 de julho de 2001. O seu túmulo é ainda hoje venerado numa igreja de Viana do Castelo.  

 

Em conclusão, o seu exemplo moral constitui um edificante modelo de pensador e de actor cristão, que a celebração do V Centenário do seu Nascimento nos vem ajudar a evocar nos seus contornos históricos e éticos.

 

Nuno Sotto Mayor Ferrão

 

A ATUALIDADE DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA NO CONTEXTO DA GLOBALIZAÇÃO (I)- AS RAÍZES HISTÓRICAS DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA

 

“(…) A crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da primazia do ser humano. (…) A crise mundial (…) e sobretudo a grave carência de uma orientação antropológica que reduz o ser humano apenas a uma necessidade das suas necessidades: o consumo. (…) Exorto-vos a uma solidariedade desinteressada e a um regresso da economia e das finanças a uma ética propícia ao ser humano. (…) Em muitos países, a globalização comportou uma acelerada deterioração das raízes culturais com a invasão das tendências pertencentes a outras culturas, economicamente desenvolvidas mas eticamente debilitadas. (…)”

Papa Francisco, A Alegria do Evangelho – Exortação Apostólica ‘Evangelii Gaudium’, Prior Velho, Paulinas Editores, 2013, pp. 44,45, 46, 48 e 49

 

Na História da Igreja Católica, durante o século XIX, a Doutrina Social da Igreja criticou os excessos do Socialismo e do Liberalismo. Com efeito, o movimento social cristão surgiu, ainda na primeira metade do século XIX, como uma resposta caritativa a um liberalismo socialmente pouco responsável para com os trabalhadores das indústrias. Nesta época, diferentes pensadores criticaram a ordem liberal como socialmente injusta, tendo-se destacado figuras como Hughes Lamennais e Charles de Coux como mentores de um liberalismo católico e, em particular, a sociedade francesa que, desperta para esta problemática, viu aparecer, na década de 1870, o sindicalismo cristão.

 

Em consequência da ação caritativa do movimento social cristão europeu, irá nascer a meditação que dará azo à germinação da Doutrina Social da Igreja. Assim, na década de 1880, o pensamento social cristão foi ganhando bases com a constituição de diversos grupos de estudo da problemática operária: Friburgo, Roma, Francoforte e Paris. No ano de 1848, em que Karl Marx e Friedrich Engels escreveram o Manifesto do Partido Comunista, o bispo de Mogúncia, Von Ketteler, pronunciou sermões de exaltação da necessidade de encontrar condições de trabalho mais dignas para os operários, tendo-se tornado inspiradores da Doutrina Social da Igreja. 

 

Assim, no contexto da edificação da sociedade industrial, o Papa Leão XIII, na sua encíclica Rerum Novarum, em 1891, criticou os excessos das propostas de Karl Marx e as insuficiências das estruturas do capitalismo industrial, na resolução de candentes problemas operários. Deste modo, esta encíclica constituiu um marco fundamental da Doutrina Social da Igreja mas não o seu início. Neste documento papal, sustentou-se a necessidade do Estado proteger os operários, a necessidade de uma retribuição salarial digna para os operários e a importância da criação de associações mistas de operários e patrões que dialogassem no sentido de se evitar a luta de classes propalada por Karl Marx[1].

 

No desenrolar de várias décadas do século XX, alguns Papas como Pio XI, no contexto da crise do Capitalismo dos anos 30, verberaram nos excessos do Liberalismo económico o empolamento do papel do individualismo e das leis absolutas do mercado livre, que conduziram o mundo ao abismo laboral da crise capitalista e aos nefandos totalitarismos e, mais tarde, Paulo VI, na conjuntura do antagonismo ideológico da guerra fria, criticou também a ganância como um entrave à paz internacional. Nesta dialética histórica, a Doutrina Social da Igreja tem procurado encontrar um ponto de equilíbrio para que as coletividades possam crescer num senso ético rumo ao bem comum.

 

Na época contemporânea, a Igreja Católica tem edificado um forte legado teórico de Doutrina Social da Igreja com a intervenção atenta dos Papas, desde 1891 à atualidade, face às angustiantes situações sociais criadas pelas sociedades industriais e pós-industriais.

 

Em 1967, o Papa Paulo VI, na encíclica Popularum Progressio,criticou, em pleno contexto da guerra fria e da afirmação exultante do bloco capitalista liderado pelos EUA, a obsessão com o liberalismo económico como um entrave iniludível ao desenvolvimento integral do Homem e à paz internacional. Salienta-nos, nesta crítica ao sistema do capitalismo liberal, que a preocupação com o máximo lucro faz olvidar a necessidade de servir o Homem.

 

Paulo VI acrescenta também, com grande atualidade, que o trabalho excessivamente organizado, por razões de mera eficiência, pode levar à nociva escravização do Homem. Deste modo, nesta encíclica ressalta que uma sociedade liberal não gera necessários equilíbrios sociais, dado que os mecanismos da iniciativa individual e da concorrência se revelam insuficientes e tornam-se necessários poderes públicos fortes, para a plena concretização do bem comum. Assim, Paulo VI, com forte sentido premonitório, alertava para o facto da predominância da tecnocracia e da economia nas sociedades do século XX terem de estar ao serviço do Homem. Nesta crítica salienta-nos, sabiamente, Paulo VI este teor:

 

“(…) Infelizmente, sobre estas novas condições da sociedade, construiu-se um sistema que considerava o lucro como motor essencial do progresso económico, a concorrência como lei suprema da economia, a propriedade privada dos meios de produção como direito absoluto, sem limite e sem obrigações sociais correspondentes. Este liberalismo sem freio conduzia à ditadura denunciada com razão por Pio IX, como geradora do ‘imperialismo internacional do dinheiro’. Nunca será demasiado reprovar tais abusos, lembrando mais uma vez, solenemente, que a economia está ao serviço do homem. (…) Só a iniciativa individual e o simples jogo da concorrência não bastam para assegurar o êxito do desenvolvimento. Não é lícito aumentar a riqueza dos ricos e o poder dos fortes, confirmando a miséria dos pobres e tornando maior a escravidão dos oprimidos. (…) Economia e técnica não têm sentido, senão em função do homem, ao qual devem servir.(…)”[2]

 

Em 1979, João Paulo II, no primeiro ano do seu pontificado, criticou, na senda do espírito do Concílio Vaticano II, o progresso tecnológico desenfreado das sociedades contemporâneas que desumanizaram as vivências humanas. Salienta-nos que a evolução técnica e industrial do mundo contemporâneo tem conduzido o Homem a destruir a Natureza e não a preservá-la, como Deus nos ensinou.

 

Nesta lúcida meditação, filosófica e teológica, João Paulo II diz-nos que o desenvolvimento técnico da contemporaneidade não tem sido acompanhado por um correspondente desenvolvimento moral e ético do Homem e que, por essa razão, a vida surge desumanizada nas atitudes que assume. Deduz-se do seu pensamento que, a este nível, no sentido de se alcançar um desenvolvimento integral equilibrado, a Doutrina Social da Igreja pode ser uma resposta sensata a esta angústia existencial do Homem contemporâneo[3].

 

Francisco Sarsfield Cabral, no número de março de 2014 da Brotéria[4], sintetiza os custos sociais do atual progresso tecnológico, da informática e da robótica, receando, com base em estudos credenciados, a perda generalizada de muitos trabalhos e o aumento das desigualdades salariais em muitos países do mundo. Assim, a dinâmica entre o capital e o trabalho está a ser ganha, claramente, nos mercados financeiros globalizados por aquele fator económico. Enquanto as classes médias estagnaram, nas últimas décadas, até mesmo nos EUA os seus níveis de prosperidade, os gestores e os líderes sociais com grandes qualificações técnicas têm visto os seus rendimentos aumentarem vertiginosamente.

 

Com efeito, o drama desta recente tendência social reside no facto de se prever uma redução drástica de trabalhos das classes médias à custa dos progressos informáticos e da robótica, o que exige uma séria ponderação.

 


[1] D. Manuel Clemente, A Igreja no Tempo – História Breve da Igreja Católica, Lisboa, Grifo Editores, 2010, pp. 109-114.

[2] “Populorum Progressio – Carta Encíclica de Sua Santidade o Papa Paulo VI”, in Desenvolvimento e Solidariedade – Populorum Progressio, vinte anos depois, Lisboa, Rei dos Livros, 1987, pp. 72, 76 e 77.

[3] Papa João Paulo II, Carta encíclica Redemptor hominis (4 de março de 1979).

[4] Francisco Sarsfield Cabral, “Os custos do progresso tecnológico”, in Brotéria, vol. 178, março de 2014, pp. 257-262.

 

Nuno Sotto Mayor Ferrão (artigo com continuação - I Parte)

 



A ESTRATÉGIA SOLIDÁRIA, DO PAPA FRANCISCO A D. MANUEL CLEMENTE, PARA OS CRISTÃOS ENFRENTAREM A ATUAL CRISE DE VALORES

“(…) O grande risco do mundo atual, com a sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. (…) Esta não é uma escolha duma vida digna e plena…(…)”

Papa Francisco, A Alegria do Evangelho – Exortação Apostólica ‘Evangelii Gaudium’, Prior Velho, Edições Paulinas, 2013, p. 5.

  

A intensidade da crise de valores perenes atravessa as sociedades contemporâneas no século XX e atinge o âmago neste início de milénio, tal como o expliquei num pequeno ensaio. Não nos podemos situar como indivíduos e sociedades se não tivermos uma forte identidade pessoal e colectiva e se não tivermos horizontes de esperança. Daí a urgência em não nos deixarmos atolar num pessimismo larvar e o papel fundamental que o Papa Francisco com a sua visceral coerência tem assumido no Ocidente ao ponto  da revista Time o considerar a figura mundial do ano de 2013.

 

No mundo tecnológico, que amesquinha o sentimento e a dignidade dos homens muito bem retratado no filme Modern Times de Charles Chaplin, de 1936, importa ter a coragem de ir contra a corrente. Pairam no mundo contemporâneo falsos valores resultantes de mudanças aceleradas e impensadas, porque o ritmo frenético dos “burgos” não se compadece com o juízo de pensadores, de filósofos, que apontem estratégias coletivas.

 

Talvez isto explique, precisamente, a crise do Euro, encetada em 2010, que sofreu de uma sofreguidão na resposta rápida à Globalização em curso no fim do século XX através da montagem do sistema monetário europeu, quando sabemos do provérbio popular que “prudência e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”.  

 

Um dos falsos valores que toca a nossa contemporaneidade é a efemeridade da vida quotidiana marcada pelo alucinante ritmo da inovação tecnológica, nesta ideia convirjo com o humanista Vitorino Magalhães Godinho. 

 

Como salienta, com grande propriedade, o professor Adriano Moreira as sociedades atuais colocaram o preço das coisas em lugar do seu valor, assim o valor do ter substituiu o valor do ser, ser bom, ser corajoso, ser bondoso, ser sábio foram relegados para segundo plano, pois dificilmente podem ser quantificáveis.

 

O relativismo prevalecente como vaga de fundo desde as provocações filosóficas de Friedrich Nietzsche tornou-se moda mental, ou seja, na ausência de valores universais o sentido Ético dilui-se em referenciais de múltiplos valores não devidamente fundamentados por uma argumentação filosófica.

 

O Papa Francisco reconhece que este desnorte metafísico tem levado as sociedades atuais a caírem num imparável consumismo e num hedonismo que não trazem felicidade ao coração dos nossos contemporâneos.

 

Existem alguns constrangimentos que necessitam de ser superados. É certo que é difícil compaginar a liberdade com o bem comum, mas não há alternativa na luta por um mundo melhor e mais justo.

 

Importa, também, que se ultrapassem os currículos educativos centrados numa educação parcelar medida pelo desenvolvimento cognitivo e pelas metas quantitativas, porque é necessário estimular o desenvolvimento do juízo moral das crianças e dos jovens e só o desenvolvimento de uma educação integral da pessoa humana poderá ser o paradigma humanitário que conjugue a liberdade com a responsabilidade social.

 

Em último lugar, a secundarização das Humanidades tem manietado as consciências a paradigmas mentais padronizados por métodos tecnocráticos que impedem a livre criatividade de pensamento.

 

Como nos lembrou D. Manuel Clemente, numa sessão da paróquia de Nossa Senhora do Amparo em Lisboa no dia 6 de fevereiro de 2014, fazendo eco dos apelos do Papa Francisco, um dos valores perenes que os cristãos não devem esquecer é a alegria do encontro com Cristo.

 

Fulcral como valor perene que atravessa a História dos últimos séculos é a dignidade atribuída à pessoa humana na sua singularidade, que perpassa filósofos como E. Kant a E. Mounier a várias organizações internacionais humanitárias.

 

A estratégia cristã do Papa Francisco a D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa, é a da alegria do encontro com Jesus Cristo, que nos dá a certeza da Salvação e do mandamento novo de Amar o próximo. A simplicidade das atitudes do Papa Francisco marcada pelo despojamento de lautas solenidades e ostentações procura imitar o exemplo de Cristo, dando uma resposta concreta à crise de valores dos nossos dias.

 

Reconheceu D. Manuel Clemente, nessa sessão paroquial muito concorrida, que a teologia Católica do século XX e do presente século coloca a ênfase da alegria numa atitude de vivência comunitarista do Cristianismo e que o importante é redescobrir a validade dos documentos do Concílio Vaticano II, porque cinquenta anos depois os seus princípios carecem de ser aplicados pelas comunidades católicas em maior profundidade para se superar a crise de valores de que já falava, então, o Papa João XXIII.

 

Nesta exortação apostólica do Papa Francisco, que causou brado mediático com a afirmação verdadeira de que “esta economia mata”, na leitura de D. Manuel Clemente, mais importante, do que isso, é o empenho na missão sócio caritativa da Igreja Católica e da comunidade de leigos para que se rompam nas sociedades atuais os isolamentos derivados das mentalidades individualistas.

 

D. Manuel Clemente anunciou que colocando em prática a estratégia missionária apontada pelo Papa Francisco se irá preparar na diocese de Lisboa, com a colaboração das suas 280 paróquias, desde o presente ano até 2016 um Sínodo Diocesano que coincidirá com a data da celebração do tricentenário da atribuição do Patriarcado a Lisboa (1716-2016).

 

A preparação deste Sínodo terá por finalidade treinar competências missionárias de toda a comunidade católica (membros eclesiásticos e leigos) para romper com as tristezas e os isolamentos que grassam nas sociedades contemporâneas. Para isso, lembrou o cardeal-patriarca de Lisboa importa ter presente a máxima bíblica para se quebrar com a mentalidade materialista: “(…) Há mais felicidade no dar, do que no receber.(…)”

 

Nuno Sotto Mayor Ferrão

 

 

A ÉTICA E O SISTEMA FINANCEIRO GLOBALIZADO

 

Localização de paraísos fiscais

 

A Ética é um ramo da Filosofia que existe desde a Antiguidade Clássica, designadamente desde Aristóteles, que se ocupa dos deveres do Homem, de um código moral de conduta que tem andado arredado nas eras pragmáticas da História, nomeadamente no fim do império romano e nesta era da Globalização financeira.


Talvez, a secundarização da filosofia e do campo das humanidades esteja entre uma das principais explicações para a degenerescência Ética em que a Humanidade tem caído nos últimos tempos da História da Humanidade.

 

A crise de valores da Globalização é um ponto de chegada da dinâmica histórica contemporânea, como já o sustentei, e não um ponto de partida, por isso esta questão assume-se como um preocupante desafio aos Homens de boa vontade, independentemente dos credos que perfilham. Hoje em dia, os valores das nossas sociedades são descartáveis e as linhas de fronteira entre o Bem e o Mal estão em constante mutação, ao contrário dos valores tradicionais das sociedades Oitocentistas que se caraterizaram pela perenidade.

 

O “Capitalismo de casino”, como é bem caraterizado pela imprensa e pela bibliografia internacional, e a degradação institucional das democracias do ocidente têm contribuído, também, para a contínua crise de valores que se faz sentir desde o início do século XX.


Esta situação de anomia Ética torna premente a necessidade de revalorizar a Filosofia e a Ética como parte da solução para um combate, sem tréguas, à selva capitalista em que vivemos, pois pese embora a imensa tristeza dos filósofos do pragmatismo neoliberal não há outra maneira de sair deste impasse.

 

A problemática, de fundo, que reina, na atualidade, é o valor do ter versus o valor do ser, sendo que o materialismo tem ocupado um espaço “claustrofobizante” que leva a secundarizar o valor das pessoas, daí a importância de revalorizar as correntes personalistas para que as nossas sociedades possam ser mais humanizadas.


Associada a esta tendência está a vigente crença quantitativista que é, claramente, insuficiente para captar a incrível complexidade do ser humano, donde sobressaí a premente necessidade de revalorizar as perceções humanistas para fazer face às insuficiências da ciência estatística.

 

O sistema financeiro globalizado e as recorrentes fugas ao fisco, através dos inúmeros paraísos fiscais, constituem atualmente o cerne da problemática que obstaculiza o exercício da Ética por parte de empresas e de cidadãos que, inevitavelmente, penalizam os Estados. A reintrodução de alguma moralidade nas relações internacionais implica o combate sem tréguas aos paraísos fiscais e uma organização supranacional com fins filantrópicos que sejam a salvaguarda da proteção de relações internacionais guiadas por normas jurídicas de fundamentos éticos.

 

Convém atentar que o declínio da Igreja Católica nas sociedades ocidentais e a volatilidade dos valores Éticos tem reduzido os valores perenes. Deste modo, todos os valores se tornaram mais descartáveis, dando uma base de grande insegurança aos cidadãos dos nossos dias, de tal forma que a Igreja Católica definiu como estratégia, nos anos 60 do século XX no Concílio do Vaticano II, para superar esta crise de valores que se aprofunde progressivamente o agir na sociedade com uma nova missão evangelizadora mediante a ação dos leigos.

 

A Ciência económica e a anomia Ética resultam de uma nefasta ligação da economia às ciências exactas, que tem dado prevalência aos indicadores estatísticos em detrimento da simultânea leitura das motivações psicológicas dos povos. Esta tendência ajuda a explicar que o sistema financeiro global se constitua como verdadeiro fator de desrespeito pelos Direitos Humanos, manifestando-se este fenómeno como atentatório da Ética, pois muitos economistas e os verdadeiros decisores o tendem a menosprezar.

 

Do Concílio Vaticano II ao papado de Francisco I, iniciado em 2013, a Igreja Católica tem aceitado responder ao desafio da crise de valores com o exemplo dos leigos que se assumem como a porta de entrada do Catolicismo nas sociedades contemporâneas. A problemática da Ética, ou melhor da falta dela, coloca a Filosofia como uma metodologia de sabedoria essencial nas sociedades atuais.

 

Em conclusão, há uma imprevista urgência de compaginar a Economia e a Ética para que haja uma aproximação do real ao ideal, pois sem este sentido de equilíbrio a obsessão com a produtividade leva à crescente desumanização das sociedades, como o Concílio Vaticano II já o denotou com muita acuidade. Por outro lado, a filosofia pragmática, iniciada com William James, tem-se revelado claramente insuficiente para lidar com a problemática da Globalização. Exemplo disso, é o facto do mau exemplo dos gestores atuais que não olham a meios para ganharem mais, o que revela, claramente, que para lá de uma mentalidade empreendedora é necessário possuir um espírito moldado por uma Ética humanista.

 

Nuno Sotto Mayor Ferrão

 

BIBLIOGRAFIA

Adriano Moreira, Teoria das Relações Internacionais, Coimbra, Almedina Editores, 2011.

Idem, “O futuro de Portugal”, in Nova Águia, nº 12, 2º semestre de 2013, pp. 172-175.

Aristóteles, Ética a Nicómaco, Lisboa, Quetzal Editores, 2004.

Matthieu Pellou et Sébastien Rammoux, “Les paradis fiscaux à portée de clic”, in Le Parisien Dimanche, 27 octobre 2013, nº 21502, p. 8.

Nuno Sotto Mayor Ferrão, “Relativismo Ético na História Contemporânea (1914-2010)”, in Brotéria – Cristianismo e Cultura, nº 1, volume 174, Janeiro de 2012, pp. 47-51.

Vítor Bento, Economia, Moral e Política, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2011.

 

O FRANCISCANISMO E SUA ATUALIDADE NAS PERCEÇÕES CONTEMPORÂNEAS DE JAIME CORTESÃO A JORGE MÁRIO BERGOGLIO (PAPA FRANCISCO)

File:Saint Francis of Assisi by Jusepe de Ribera.jpg
São Francisco de Assis
 

Francisco de Assis viveu na transição do século XII para o XIII (1182-1226), tendo sido um religioso místico que fundou a primeira ordem religiosa mendicante, rompendo com as ordens religiosas afastadas do mundo, refugiadas nas suas paredes conventuais. Este santo, adorador da Natureza, festejou a noite de Natal de 1223 num bosque, com uma missa, diante de um presépio com uma grande assistência de frades menores e das classes populares. Os franciscanos tornaram-se, assim, os grandes divulgadores do presépio no mundo ocidental[1].  

 

No contexto medieval, do início do século XIII, em que as cidades cresceram económica e demograficamente com o desenvolvimento do grupo dos mercadores, da burguesia, tornaram-se gritantes as desigualdades sociais e a ostentação material da Igreja Católica face às inúmeras doações que recebia.

 

Apareceu, deste modo, a necessidade de reformar o Cristianismo para o despojar da opulência em que uma parte do clero vivia. O franciscanismo, através da regra interna, procurava ajudar os pobres e os desfavorecidos e vinculava estes frades menores a viverem segundo princípios novos que postulavam “(…) obediência, pobreza e castidade (…) Os irmãos não terão nada de próprio, nem casa, nem terra, nem coisa nenhuma, mas como peregrinos e estrangeiros neste mundo, servindo o Senhor em [2]pobreza e humildade, sigam pedindo esmolas confiadamente. (…)”[3]

 

Jaime Cortesão, insigne historiador, salientou o papel do Franciscanismo nos Descobrimentos marítimos portugueses. Assim, considerou que os Franciscanos, pela sua visão generosa da Natureza, pela atividade missionária e pela literatura de viagens dos frades menores, foram os criadores da mística dos Descobrimentos marítimos portugueses de quatrocentos. Na sua aceção, os Franciscanos modificaram a essência do Cristianismo, de base católica, promovendo a exterioridade caritativa em favor dos desfavorecidos rompendo, assim, a interioridade do monaquismo medieval e favorecendo o empreendimento das Descobertas marítimas. Por outras palavras, o ideal Franciscano da vivência humilde, junto dos pobres, favoreceu o movimento de abertura da Igreja à sociedade e ao mundo, tendo sido propiciador da expansão marítima na sua motivação religiosa de conversão de novos povos.

 

O filme de Franco Zeffirelli, de 1972, sobre São Francisco de Assis mostra-nos a sua conversão plena ao Cristianismo, após a renúncia às riquezas familiares em benefício de uma vida espiritual mais rica. É um belo filme, que recomendo pela sua qualidade estética, válido pela mensagem de busca da unidade espiritual da Igreja com o mundo. Aqui deixo um pequeno excerto do filme, bem elucidativo.


Neste tempo em que o materialismo reinante[4] e a, concomitante, ideologia neopositivista tecnocrática são predominantes, a necessidade de espiritualização do mundo torna-se cada vez mais premente. Aliás, não é por acaso que novas formas de espiritualidade (o budismo, a ioga, os retiros espirituais, etc) são revalorizadas face ao contexto de um materialismo despersonalizante a que a Humanidade tem sido conduzida pela Globalização desregulada.

 

A eleição de Jorge Mário Bergoglio como Papa com o nome de Francisco, neste contexto de crise Ética, é uma resposta significativa de grande simbolismo perante a premente necessidade de implementar o espírito do Concílio Vaticano II, isto é, de aproximar a Igreja Católica do mundo quotidiano. Numa conjuntura internacional em que as desigualdades sociais são exponenciais, em virtude de uma Globalização impreparada pela visível desregulação, e em que a ostentação de alguns privilegiados, fruto do Capitalismo selvagem, é cada vez mais chocante, importa apelar ao espírito de humildade e de simplicidade que caraterizou a reforma do Cristianismo com a fundação das ordens mendicantes, designadamente da ordem dos Franciscanos.

 

Este retorno do espírito Franciscano neste pontificado, que agora se inicia, evoca um eterno retorno de problemas cíclicos e de soluções consabidas, porque urge compreender com espírito Humanista a natureza humana. Com efeito, não é possível, como nos diz o filósofo José Gil[5], avaliar tecnocraticamente as sociedades Globalizadas sem hipotecar as virtualidades da natureza humana. Na verdade, o neopositivismo ideológico que se nos impôs com a Globalização tecnocrática imposta por interesses materiais de alguns poderosos tem desvirtuado a natureza humana à luz da verdade das Humanidades, da Igreja Católica e das Ciências desde Sigmund Freud a António Damásio.

 

Em suma, o problema das sociedades contemporâneas, na leitura do Concílio Vaticano II e do Papa Francisco, é a sua crescente desumanização, em virtude da cobiça de alguns poderosos em detrimento de muitos cidadãos. Daí a importância de revalorizar a mensagem Franciscana da humildade e da simplicidade de vida para que se possa romper com a crise de valores a que esta ideologia neopositivista dos tecnocratas do Capitalismo Financeiro nos tem conduzido[6].    



[1] “São Francisco de Assisis”, in Jorge Campos Tavares, Dicionário de Santos, Lello Editores, 2004, pp. 59-60.

[2] Nuno Sotto Mayor Ferrão, “As linhas de força do pensamento historiográfico de Jaime Cortesão”, in Nova Águia, nº 11, 1º semestre de 2013, Sintra, Editora Zéfiro, 2013, p. 133-134.

[3] Regra de São Francisco (1223) – números 1 e 6.

[4] Nuno Sotto Mayor Ferrão, “Relativismo Ético na História Contemporânea (1914-2010)”, in Brotéria, nº1, volume 174, Janeiro de 2012, pp. 47-51.

[5] José Gil, Em busca da identidade – o desnorte, Lisboa, Relógio d’Água, 2009, pp. 52-53. Vejamos a lúcida observação deste pensador: “(…) É inevitável, assim, que a avaliação como diagrama transversal a toda a sociedade, tenda a transformar todas as relações humanas em relações funcionais de poder. O preço pago por esta tecnologia biopolítica é, evidentemente, a mutilação de uma vida mais rica, a diminuição brutal dos possíveis, a restrição do aleatório, do acaso da imprevisibilidade. Como estes serão também transformados em funções – a famosa ‘criatividade’ no trabalho, nas empresas, nos serviços, na publicidade, nos média -, os próprios factores aparentemente incodificáveis serão avaliados, quantificados, normalizados. (…)”.

[6] A mensagem do filme de Charles Chaplin Tempos Modernos, de 1936, está mais atual do que nunca neste contexto de uma Globalização desregulada.

 

Nuno Sotto Mayor Ferrão

 

 

 
 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

www.mil-hafre.blogspot.com

www.cortex-frontal.blogspot.com

www.duas-ou-tres.blogspot.com

www.novaaguia.blogspot.com

www.bichos-carpinteiros.blogspot.com

www.fjv-cronicas.blogspot.com

www.sorumbatico.blogspot.com

www.almocrevedaspetas.blogspot.com

www.ladroesdebicicletas.blogspot.com

Perfil Blogger Nuno Sotto Mayor Ferrão

www.centenario-republica.blogspot.com

Centenário da República

Ericeira

Origem das espécies de Francisco José Viegas

Almanaque Republicano

Fundação Calouste Gulbenkian

Centro Cultural de Belém

Blogue Biblioteca Escolar - Agrupamento Damiao de Góis

Biblioteca Nacional

Fundação Mário Soares

Arrastão

Centro Nacional de Cultura

Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Academia das Ciências de Lisboa

Cinemateca de Lisboa

Ministério da Cultura

Restaurante - Lisboa

Turismo Rural

Museu da Presidência da República

Site Divulgar blog

Memória Histórica do Holocausto

Dados estatísticos nacionais

Blogue Helena Sacadura Cabral

Comunicação Social da Igreja Católica

Economia e História Económica

Blogue - Ana Paula Fitas

Sociedade Histórica da Independência de Portugal

Literatura - infantil e/ou poética

Biblioteca e Arquivo José Pacheco Pereira

José Saramago - Fundação

Escritora Teolinda Gersão

Escritor António Lobo Antunes

Comemoração do Centenário da República

Museu Nacional de Arte Antiga

Museu do Louvre - Paris

www.industrias-culturais.blogspot.com

Artes Plásticas e Poesia - blogue

Albergue Espanhol - blogue

Actualidades de História

Arte Contemporânea - Fundação Arpad Szenes Vieira da Silva

Literatura - edições antigas

Carta a Garcia - blogue

Blogue da Biblioteca do ISCTE

Crónicas do Rochedo

Lusitaine - blogue

Leituras - livros e pinturas

História do século XX - site espanhol

Associação Cultural Coração em Malaca

Objectiva Editora

Lista de Prémios Nobéis

Perspectivas luso-brasileiras

Análise política - blogue

Arte e Cultura no Brasil

Exposição Viva a República

Revisitar Guerra Junqueiro

História da Guerra Colonial

Prémio Nobel da Literatura 2010

Sociedade de Geografia de Lisboa

Academia Portuguesa da História

Associação 25 de Abril - Centro de Documentação

Casa Fernando Pessoa - Lisboa

Associação Agostinho da Silva

Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Aministia Internacional

UNESCO

Blogue de Estudos Lusófonos da U. Sorbonne

Entre as brumas da memória - blogue

Comunicação Social - Nacional e Estrangeira

Acordo Ortográfico - Portal da Língua Portuguesa

Países Lusófonos

Margens de erro - blogue

Museu do Oriente

Fotografias Estéticas de Monumentos do Mundo

Monumentos Classificados de Portugal

Mapas da História do Mundo

Informações sobre a União Europeia

Biblioteca Digital do Alentejo

Instituto Nacional de Estatística

Vidas Lusófonas da autoria de Fernando da Silva

Programa televisivo de Cultura

Quintus - Blogue

Fundo bibliográfico dos Palop

Instituto Camões

Museu do Fado

Livraria Histórica e Ultramarina - Lisboa

Reportório Português de Ciência Política - Adelino Maltez

Acordo português com a troika - Memorando de entendimento

Programa do XIX Governo Constitucional da República Portuguesa

Real Gabinete Português de Leitura (Rio de Janeiro)

Bibliografia sobre a Filosofia Portuguesa

Fundação Serralves - Arte Contemporânea

Casa da Música

Portal da Língua Portuguesa

Canal do Movimento Internacional Lusófono

Escritas criativas

Círculo Cultural António Telmo

Revista BROTÉRIA

Desporto e qualidade de vida

Turismo Rural

Município de Ponte de Lima

+ Democracia

I Congresso da Cidadania Lusófona

Organização - I Congresso da Cidadania Lusófona 2,3 abril 2013

Grémio Literário - Lisboa

SP20 Advogados

Zéfiro

Divina Comédia Editores

Hemeroteca Digital de Lisboa

National Geographic

Sintra - Património Mundial da Humanidade

Sinais da Escrita

Classical Music Blog

Open Culture

António Telmo – Vida e Obra

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

British Museum

Université Sorbonne

Museu Guggenheim - Veneza

Universidade de Évora

Biblioteca Digital

Universidade Católica Portuguesa

Biblioteca do Congresso dos EUA

Biblioteca de Alexandria – Egito

Oração e Cristianismo

Notícias e opiniões